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Espanha: socialistas optam por abstenção e Rajoy vai formar governo

Os socialistas espanhóis decidiram neste domingo facilitar na próxima semana a posse do conservador como presidente do governo, após 10 meses de paralisação política

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postado em 23/10/2016 14:45

France Presse

Os socialistas espanhóis decidiram neste domingo facilitar na próxima semana a posse do conservador Mariano Rajoy como presidente do governo, após 10 meses de paralisação política. Em uma reunião na sede nacional em Madri, o comitê federal do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) aprovou por 139 votos favoráveis e 96 contrários a opção pela abstenção na próxima votação de investidura, o que evita a perspectiva de novas eleições em dezembro, que seriam as terceiras no país em apenas um ano.

"A forma como poderemos fazer algo (...) é que efetivamente sejamos oposição, e para isto tem que haver governo", afirmou Javier Fernández, presidente da comissão que dirige o partido de forma interina. Com a decisão, Rajoy, chefe de Governo desde dezembro de 2011, poderá tomar posse no final da semana, poucas horas antes do fim do prazo legal, em 31 de outubro. Se a data limite fosse superada, o Parlamento seria dissolvido para novas eleições.

Desta maneira, o país vislumbra o fim de mais de 300 dias de bloqueio político, período em que o Partido Popular (PP) de Rajoy, vencedor sem maioria absoluta nas duas últimas eleições gerais, foi incapaz de reunir apoio suficiente para formar um novo Executivo e iniciar com normalidade a nova legislatura.

Os socialistas chegaram divididos à reunião, entre os partidários da resignação a atuar como oposição e aqueles que defendiam até o fim o "não" a Rajoy, mas que ficaram 'órfãos' depois que o líder do PSOE, Pedro Sánchez, se viu obrigado a renunciar como secretário-geral há três semanas.

Das duas resoluções rivais apresentadas ao comitê, os socialistas preferiram a que afirma que a repetição das eleições poderia ter "efeitos muito negativos para o Partido Socialista", que registrou os piores resultados de sua história nas eleições gerais de dezembro de 2015 e junho passado.

Com 85 das 350 cadeiras na Câmara Baixa (contra 137 do PP), a resolução vencedora pede o exercício da "liderança da oposição parlamentar", em um partido que teme ser desbancado por seu grande rival na esquerda, o Podemos.

 

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O líder do Podemos, Pablo Iglesias, rapidamente criticou a iniciativa do PSOE, partido que acusa de aliar-se ao PP. "Hoje se constata o fim do rodízio como sistema de partidos; nasce uma Grande Coalizão que terá que nos enfrentar como alternativa", escreveu no Twitter.

Um partido dividido

Após a decisão deste domingo, o que fica, no entanto, é um PSOE muito dividido e que em breve terá que enfrentar a delicada questão da liderança. Dirigentes regionais, como o catalão Miquel Iceta, chegaram à reunião afirmando que defenderiam o "não", em nome de uma militância que, afirmam, não vê com bons olhos a abstenção a favor do PP.

"Temos mais medo do abismo com os militantes e eleitores do que das terceiras eleições", afirmou Iceta. "É uma traição aos eleitores dos PSOE e teriam que consultar os militantes", disse o aposentado Luis Núñez, que criticou a abstenção diante da sede do PSOE.

Durante a semana, a bancada parlamentar socialista deve explicar se a abstenção acontecerá em bloco ou com apenas 11 deputados, o mínimo indispensável para que concretizar a posse de Rajoy. A reta final para a formação do governo começa na segunda-feira, com a fase de contatos que o rei Felipe deve manter, em dois dias, com os líderes dos partidos representados na Câmara.

Se Mariano Rajoy informar ao monarca na terça-feira que possui apoio suficiente, pode ir ao Congresso a partir de quinta-feira para tomar posse no fim de semana. A legislatura será, no entanto, complicada, já que o PP governará em minoria. "Se pretendo ter mais apoios, lógico que terei que adequar meu discurso à nova situação", admitiu o próprio Rajoy na sexta-feira.

Os 10 meses de bloqueio obrigaram o governo de Rajoy a elaborar um orçamento prorrogado e também começam a ameaçar a recuperação econômica de um país com quase 20% de desemprego.

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