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Uruguai se despede de Jorge Batlle e Vázquez decreta luto nacional

O atual presidente Vázquez esteve entre os primeiros a aparecer para homenagear seu antecessor e oponente político, que terminou sendo aquele que lhe transferiu a faixa presidencial em 2005

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postado em 25/10/2016 16:09

France Presse

O Uruguai dava seu último adeus, nesta terça-feira (25/10), a Jorge Batlle, o presidente que durante seu mandato (2000-2005) deu os primeiros passos na busca por restos de desaparecidos da última ditadura militar. Batlle faleceu ontem (24/10), aos 88 anos.

Neste dia de luto nacional decretado pelo governo de Tabaré Vázquez, o corpo do ex-presidente era velado na sede do Congresso.

O atual presidente Vázquez esteve entre os primeiros a aparecer para homenagear seu antecessor e oponente político, que terminou sendo aquele que lhe transferiu a faixa presidencial em 2005, quando o líder da esquerdista Frente Ampla chegou ao poder pela primeira vez. Vázquez foi derrotado por Batlle nas urnas, em 1999.

 

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"Foi um político importantíssimo e influente na história do nosso país. Marcou toda uma época. Um homem liberal convencido de suas ideias. E ele as pôs em prática. Foi um provocador do pensamento", disse Vázquez sobre seu ex-adversário.

O Uruguai tinha a particularidade de ter ainda vivos seus cinco presidentes pós-ditadura militar, regime que terminou em 1985. Mais velho dos cinco, Batlle sucumbiu aos efeitos de uma pancada na cabeça sofrida na madrugada de 14 de outubro, ao final de um jantar, quando caiu no chão desmaiado.

O acidente provocou um "traumatismo craniencefálico pela queda no chão" que originou um coágulo intracraniano, com sequelas neurológicas severas, segundo os médicos que trataram dele.

Na passada semana, os doutores tentaram suspender o tratamento progressivamente com calmantes, mas não tiveram a resposta esperada.

Batlle completaria 89 anos nesta terça (25/10).

Comissão para a paz


Em seu país, Batlle será lembrado por sua desenvoltura, ao manifestar suas ideias, seu saber enciclopédico que gostava de exibir e seu desapego ao protocolo, assim como por ter estado à frente do Poder Executivo durante a pior crise financeira da História recente do Uruguai e por ter criado um grupo de busca para encontrar os restos dos presos desaparecidos durante o regime militar (1973-1985).

Ao tomar posse, Batlle se comprometeu com uma mudança na política em matéria de direitos humanos e, com um mês de mandato, junto com o agora falecido poeta argentino Juan Gelman, anunciou a descoberta de sua neta, Macarena Gelman. Ela foi entregue ilegalmente a um oficial policial uruguaio durante o regime militar.

Poucos meses depois criou uma Comissão para a Paz, que constituiu a primeira tentativa de coletar e sistematizar os casos de desaparecidos da ditadura.

Seu governo enfrentou "o pior ano do século para o Uruguai", como descreveu o próprio Batlle. Depois de uma emergência nacional causada pelo surto de febre aftosa, vieram as consequências da crise argentina de 2001, a qual afetou enormemente o país, além de uma corrida bancária que derrubou o sistema financeiro local. Desemprego, pobreza e emigração dispararam.

Com a Argentina em "default", Batlle insistiu em que o país deveria honrar seus compromissos e acabou conseguindo que isso acontecesse, graças a um crédito ponte de US$ 1,5 bilhão concedido pelos Estados Unidos.

'Caiu militando'


Para o ex-presidente José Mujica (2010-2015), um crítico aguerrido das políticas de Batlle, o fim do antigo rival "foi bonito: caiu militando".

"Gostaria de ir embora de forma parecida", declarou Mujica, de 81.

Já o ex-presidente Luis Alberto Lacalle (1990-1995) destacou Batlle como "um grande patriota" e lembrou do acordo eleitoral de 1999, pelo qual o tradicional Partido Nacional apoiou seu adversário histórico - o Partido Colorado - para derrotar a Frente Ampla.

"Era um amigo e adversário", comentou.

Batlle está sendo velado com honras de Estado, com o caixão coberto pela bandeira nacional e por cravos vermelhos, reveladores de sua filiação colorada. O enterro será esta tarde e deve ser acompanhado por uma multidão.

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