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Espanha está prestes a acabar com dez meses de bloqueio político

Sánchez anunciou horas antes da votação no Parlamento a sua renúncia

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postado em 29/10/2016 13:15

Os deputados espanhóis devem colocar um fim neste sábado à noite a dez meses de bloqueio político investindo o conservador Mariano Rajoy graças a abstenção do partido socialista, que provocou a renúncia de seu ex-líder Pedro Sánchez.

Temendo uma nova eleição, inevitável a partir de terça-feira se o bloqueio continuasse, o PSOE permitirá que Rajoy governe com sua minoria após uma rebelião interna que depôs o seu ex-líder Pedro Sánchez.
 

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Sánchez anunciou horas antes da votação no Parlamento a sua renúncia, afirmando "discordar fortemente com o governo de Mariano Rajoy".

"Não posso abandonar o meu partido, mas também não posso quebrar o meu compromisso com milhões de eleitores", declarou em uma audiência na qual deu a entender a sua intenção de liderar um PSOE "autônomo e desvinculado do Partido Popular" de Rajoy.

Do pessimismo à investidura

Rajoy, de 61 anos e no poder desde 2011, não poderia prever tal resultado dez meses atrás, quando seu Partido Popular (PP) registou o seu pior resultado desde 1993 e dois novos partidos, Ciudadanos (centro-direita) e Podemos (esquerda anti-austeridade), deixaram um Congresso muito fragmentado.

Vários em sua própria formação, desgastada pela corrupção e gestão austera da crise, viam um governo sem saída. 

Mas Sánchez não foi capaz de tecer um governo com Podemos e Ciudadanos e novas eleições gerais foram convocadas em 26 de junho.

O situação melhorou para Rajoy. O PP se manteve em primeiro lugar, e ainda mais reforçado com 14 deputados, enquanto o PSOE registrou o seu pior resultado, com 85 assentos.

Sánchez era seu último obstáculo. Mas sua tentativa de buscar alianças alternativas foi cortada por críticos de seu partido, que no início de outubro forçaram a sua demissão e impuseram a abstenção para evitar uma nova eleição.

Depois de uma primeira votação fracassada na quinta-feira, neste sábado às 19h45 (15h45 de Brasília) Rajoy será escolhido por maioria simples, com os votos do seu partido (137) e Ciudadanos (32) e a abstenção do PSOE.

Turbulências

No entanto, Rajoy terá dificuldades para governar com apenas 137 de 350 deputados. Nunca um governo teve tão pouco apoio no Parlamento.

Rajoy prometeu diálogo sobre questões fundamentais como a educação, aposentadoria, emprego e a unidade do país, ameaçada pelo separatismo na Catalunha.

Mas uma das primeiras medidas a tomar será o corte de 5,5 bilhões de euros em gastos públicos em 2017 para cumprir o objetivo de reduzir o déficit público acordado com Bruxelas.

E, sem dúvida, tais cortes serão sentidos duramente em um momento de graves desequilíbrios econômicos.

Apesar de uma taxa de crescimento econômico anual de 3%, o país tem uma taxa de desemprego de 18,9% e a maioria dos seus habitantes ainda sofre as consequências da crise.

Mas se não puder governar confortavelmente, Rajoy ainda poderá dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, um cenário que os socialistas querem evitar a todo o custo.

A esquerda radical já anunciou que não abrirá mão dos protestos nas ruas. 

Neste sábado, grupos de esquerda, incluindo o Izquierda Unida, convocaram uma manifestação perto do Congresso contra a investidura "ilegítima" de Rajoy.
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