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Maduro desiste de ir à Cúpula Ibero-Americana na Colômbia

Confirmada pelos organizadores na sexta-feira (28/10), no último minuto, a presença de Maduro foi definitivamente descartada, e a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, ocupou seu lugar na foto oficial

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postado em 29/10/2016 23:11

France Presse

A XXV Cúpula Ibero-Americana de Cartagena, na Colômbia, concentrou-se neste sábado (29/10) na busca da paz no país anfitrião, enquanto o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, cancelou sua presença, apesar da grande expectativa criada.

A ausência de Maduro marcou a reunião presidencial, que aconteceu durante o segundo e último dia do encontro ibero-americano.

Confirmada pelos organizadores da cúpula na sexta-feira (28/10), no último minuto, a presença de Maduro foi definitivamente descartada, e a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, ocupou seu lugar na foto oficial do encontro.

Segundo a chanceler Delcy, o presidente não pôde assistir ao evento, porque, no domingo (30), "inicia-se na Venezuela um processo de diálogo com os setores opositores", com acompanhamento do Vaticano.

Esse processo busca - acrescentou a ministra - "através do diálogo político orientar aquelas ações que pretendem pela via não constitucional e antidemocrática a derrocada do governo da Venezuela".

Mesmo sem Maduro, a Venezuela concentrou a atenção das lideranças dos 22 países participantes.
 
 
O presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, disse em plenária que o "país vizinho" - sem citar diretamente - "sofre uma tremenda crise econômica e também uma crise de direitos políticos".

Kuczynski pediu que se trate na reunião não apenas dos temas "bonitos", mas também dos mais "candentes".

"Aqui, não há nenhum afã de interferir no que acontece em outros países, tampouco nenhum afã ideológico, mas, sim, há um afã que todos os latino-americanos avancem e não retrocedam", acrescentou.

O presidente peruano já havia anunciado que aproveitaria a reunião para pedir aos países da região, entre outros pontos, que mobilizassem "uma operação de ajuda humanitária para a Venezuela", diante da escassez de alimentos e de remédios.

Já o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, defendeu a Venezuela e reiterou sua "solidariedade" a Caracas.

Vários diplomatas relataram que está "em estudo" um projeto de pronunciamento sobre a Venezuela. O texto deverá ser aprovado pelos países.

Mais do que em declarações públicas, porém, o tema da Venezuela foi profundamente debatido no almoço privado, como relatou o próximo secretário-geral da ONU, o português Antonio Guterres, que foi à cúpula.

"Houve um debate muito interessante, durante o almoço, sobre Venezuela, e acho que houve um consenso muito claro: que não há solução para os problemas da Venezuela (...) sem um diálogo, um diálogo construtivo entre as partes, com apoio da comunidade internacional", declarou Guterres aos jornalistas.


'Amigos da Colômbia' pela paz

Anfitrião e recém-ganhador do Prêmio Nobel da Paz, o presidente Juan Manuel Santos recebeu o apoio da comunidade internacional em suas tentativas de reconciliação no país, por meio dos processos de negociação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN).

"Essa cúpula, que se reúne em um momento crucial da história da Colômbia, é uma cúpula pela paz, mas é também, ou seja, não deixou de ser, a cúpula da paz. E por que eu digo isso? Porque o Acordo de Cartagena, que firmamos aqui (...) é e continuará sendo a base de uma transformação sem precedentes em nossa história", disse Santos, em seu discurso inaugural, referindo-se ao pacto de paz com as Farc.

O rei Felipe VI foi um dos que manifestaram "o apoio da Espanha aos esforços pela paz que o povo colombiano está realizando, uma paz que todos os amigos da Colômbia desejam ardorosamente".

No encerramento, os presidentes aprovaram a Declaração de Cartagena de Índias e o Pacto Ibero-Americano da Juventude, um tema que esteve no centro do debate desses dias, junto com os de empreendimento e educação.

Além do comunicado sobre a paz da Colômbia, os presidentes emitiram um documento em apoio ao Haiti, após a passagem do furacão Matthew, e outros com apelos pela negociação para resolver assuntos como o das Ilhas Malvinas, entre Argentina e Reino Unido, ou o de Gibraltar, entre Espanha e Reino Unido.

Santos entregou a presidência rotativa da Cúpula Ibero-Americana ao presidente guatemalteco, Jimmy Morales, cujo país será sede dessa reunião em 2018.

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