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Mariano Rajoy jura ante o rei seu segundo mandato na Espanha

Se não puder governar confortavelmente, Rajoy ainda poderá dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, um cenário que os socialistas querem evitar a todo custo, segundo Simón

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postado em 31/10/2016 09:34

France Presse

Madri, Espanha - O conservador Mariano Rajoy jurou nesta segunda-feira (31/10) como presidente do Governo ante o rei da Espanha, iniciando assim o segundo mandato consecutivo, desta vez em minoria. "Juro cumprir fielmente com as obrigações do cargo de presidente do Governo com lealdade ao rei e proteger e fazer proteger a Constituição", expressou Rajoy ao jurar ante Felipe VI no Palácio da Zarzuela.

Rajoy, no poder desde 2011 e que na quinta-feira anunciará a composição de seu gabinete, foi investido neste sábado novamente como chefe de Governo da Espanha por uma maioria simples do Congresso, pondo fim a dez meses de bloqueio político no país. Rajoy obteve a confiança do Congresso para um segundo mandato com 170 votos a favor, 111 contra e 68 abstenções - estas últimas procedentes de seu rival histórico, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que se mostrou dividido sobre a questão.

Após um primeiro mandato com maioria absoluta, o panorama agora é mais complicado para o líder do Partido Popular (PP), que conta com o apoio de apenas 137 de 350 deputados. "Se fizermos um esforço entre todos, podemos encontrar consensos. Temos que tentar transformar essa situação, que é difícil e complexa, em uma oportunidade", disse Rajoy à imprensa nos corredores do Congresso, minutos depois de ser investido.

Com essa votação, o Congresso pôs fim ao bloqueio político iniciado após as eleições legislativas de dezembro, com o surgimento de dois novos partidos, Ciudadanos (centro-direita) e Podemos (esquerda antiausteridade), que refletem o cansaço de milhares de espanhóis com a situação do país. Desde então, os quatro grandes partidos (PP, PSOE, Podemos e Ciudadanos) foram incapazes de investir um novo presidente de governo, provocando a convocatória de novas eleições em junho passado.

A abstenção do PSOE, após uma rebelião interna que forçou a saída de seu líder, Pedro Sánchez, fortemente contrário a Rajoy, permitiu desbloquear a situação e evitar uma terceira eleição em dezembro. Rajoy terá dificuldades para governar com apenas 137 de 350 deputados. Nunca um governo teve tão pouco apoio no Parlamento, de modo que se aproxima uma legislatura "mais turbulenta do que foi qualquer uma das anteriores", estima o professor de Ciência Política Pablo Simón.

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Embora tenha prometido diálogo sobre questões fundamentais, como educação, aposentadoria, emprego e unidade do país, ameaçada pelo separatismo na Catalunha, Rajoy deixou claro que não pretende mudar substancialmente sua política. Uma das primeiras medidas a tomar será o corte de 5,5 bilhões de euros em gastos públicos em 2017 para cumprir o objetivo de redução do déficit público acordado com Bruxelas, rejeitado pela maioria dos parlamentares.

Se não puder governar confortavelmente, Rajoy ainda poderá dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, um cenário que os socialistas querem evitar a todo custo, segundo Simón. Além disso, dispõe de uma maioria absoluta no Senado para bloquear reformas que não lhe convenham.

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