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Líderes do principal partido pró-curdo são detidos na Turquia

No total, onze deputados do HDP foram detidos, segundo uma lista divulgada pelo partido e pelo ministério do Interior

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postado em 04/11/2016 09:54

Diyarbakir, Turquia - As autoridades turcas detiveram os dirigentes e vários deputados do principal partido pró-curdo da Turquia, horas antes de um ataque com carro-bomba que deixou nesta sexta-feira oito mortos e mais de 100 feridos em Diyarbakir, no sudoeste do país. A detenção na quinta-feira à noite de Selahattin Demirtas e Figen Yüksekdag, que dirigem juntos o Partido Democrático dos Povos (HDP), constitui mais um passo nos expurgos lançados pelo governo desde o golpe de Estado frustrado de julho e que atinge em cheio os setores pró-curdos.

Os copresidentes do HDP, segundo partido da oposição na Turquia, foram apresentados na manhã desta sexta-feira à justiça, que deve decidir se os manterá detidos no âmbito de uma investigação "antiterrorista" vinculada ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), segundo a agência de notícias Anatolia.

Poucas horas depois das prisões, ao menos oito pessoas, entre elas dois policiais, morreram em Diyarbakir na explosão de um carro-bomba em frente a um edifício da polícia nesta cidade, que também deixou mais de uma centena de feridos. O ataque foi atribuído pelo primeiro-ministro, Binali Yildirim, ao PKK, uma organização classificada como terrorista por Ancara, Washington e Bruxelas.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, se declarou extremamente preocupada com as prisões e indicou no Twitter que convocará uma reunião de embaixadores da UE em Ancara. Berlim anunciou, por sua vez, que convocou o encarregado de negócios turco.

No total, onze deputados do HDP foram detidos, segundo uma lista divulgada pelo partido e pelo ministério do Interior. Entre eles há importantes figuras, como Idris Baluken, presidente do grupo parlamentar HDP, e Sirri Sureyya Onde, figura respeitada da causa curda. Um deles, Ziya Pir, foi libertado sob controle judicial, informou a imprensa turca. "O HDP convoca a comunidade internacional a reagir contra este golpe do regime (do presidente Recep Tayyip) Erdogan", pediu o partido em sua conta no Twitter.

- Vigilância -
Demirtas e Yüksekdag estão sendo investigados por suas supostas relações com o PKK. Segundo a Anatolia, foram detidos por sua rejeição em comparecer às convocações judiciais. A Turquia está em estado de emergência desde a tentativa de golpe de Estado de julho. Vários países europeus, assim como ONGs, acusam as autoridades turcas de perseguir os opositores e não apenas os supostos golpistas. Um total de 35.000 pessoas foram detidas e dezenas de milhares foram demitidas ou suspensas no âmbito de um imenso expurgo que atinge diferentes setores da administração pública.

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No fim de semana passado, os dois prefeitos de Diyarbakir foram detidos por "atividades terroristas" e uma dúzia de meios de comunicação pró-curdos foram fechados por decreto. Estas medidas agravaram a situação no sudeste do país, ensanguentado por combates diários entre o PKK e as forças de segurança desde a ruptura de uma frágil trégua no verão de 2015 que minou um processo de paz destinado a colocar fim a um conflito que já matou mais de 40.000 pessoas desde 1984.

O presidente Recep Tayyip Erdogan considera que o HDP está estreitamente relacionado ao PKK e não acredita que o partido, cujos membros são chamados por ele de "terroristas", seja um interlocutor legítimo.

Por Agência France Presse

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