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Ameaça de impeachment ronda campanha de Hillary

Congressistas republicanos se articulam para preparar o impeachment de Hillary, em caso de vitória da democrata

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postado em 05/11/2016 11:45 / atualizado em 05/11/2016 12:37

Rodrigo Craveiro

Justin Sullivan/AFP

 

 

Donald Trump e congressistas do Partido Republicano parecem determinados a levar às últimas consequências uma possível derrota na próxima terça-feira. Durante comício anteontem em Miami, o magnata alertou a simpatizantes sobre o risco representado pela rival democrata. “Se Hillary Clinton fosse eleita, isso criaria uma crise constitucional sem precedentes e prolongada. (…) Nós não passamos muitas coisas com os Clintons? Vocês se lembram de quando ele (Bill Clinton) sofreu impeachment por mentir? (...) E a última coisa de que precisamos é de mais quatro anos de Obama”, declarou. No Capitólio, começam as articulações para encerrar o governo de Hillary, antes mesmo de seu início. O deputado republicano Mo Brooks tenta montar uma frente pró-impeachment da ex-secretária de Estado, sob a alegação de que Hillary cometeu traição ao país, por expor informação de segurança nacional, ao utilizar servidores privados de e-mail.


Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York e político influente na ala republicana, engrossou a batalha contra um eventual governo Clinton. “Eu garanto a vocês que, dentro de um ano, ela será afastada e indiciada. Isso vai ocorrer”, avisou, ao participar de ato pró-Trump em Iowa. No segundo debate, em 9 de outubro, o candidato republicano prometeu nomear um promotor especial para investigar a adversária e avisou a Hillary que ela estaria na cadeia.

Professor de direito da Cornell University, Josh Chafetz explicou ao Correio que o impeachment nos Estados Unidos envolve duas etapas. A Câmara dos Deputados precisa de voto majoritário para avalizar o afastamento do presidente. Na condição de jurados de um tribunal, os 100 senadores precisarão colher 66 votos para sacramentar a culpabilidade do chefe de Estado e efetivar a sua destituição do cargo. “Parece bem provável que os republicanos ainda controlarão a Câmara, após a terça-feira. Não está claro quem comandará o Senado, mas é evidente que nenhum partido terá a supermaioria de dois terços na Casa. Acusar Hillary Clinton exigirá a participação de um número substancial de democratas.”

Chafetz acredita que o escândalo dos e-mails parece insuficiente para incitar senadores democratas a acusarem a eventual presidente. “Se outra informação especialmente ruim para Hillary surgir, isso pode mudar.” O estudioso não descarta que a Câmara acuse a democrata, ciente de que o Senado provavelmente não o faria — cenário similar ao ocorrido em 1998 com o presidente Bill Clinton, marido de Hillary, envolto em um caso sexual com a estagiária Monica Lewinsky. “O impeachment de Clinton prejudicou os congressistas republicanos nas eleições do meio de mandato, no mesmo ano. Há razões para eu achar que eles possam sofrer ainda mais danos desta vez. Se Hillary for afastada por uma conduta conhecida antes de ter sido eleita, vai parecer como se os republicanos tripudiassem sobre a vontade popular.”

Especialista em impeachment e professor de direito da Universidade da Carolina do Norte, Michael Gerhardt classifica de “bazófia” a ameaça de Trump de afastar a rival. “Apenas o Congresso tem autoridade para o impeachment. E qualquer exercício dessa autoridade depende de razões não partidárias”, disse ao Correio. Ele duvida que os dois terços necessários sejam alcançados no Senado. “Muitos analistas creem que a Constituição não permite que o impeachment seja usado para ‘relitigar’ uma eleição”, observa.

Precedente raro


Dois mandatários sofreram um processo de impeachment em 227 anos de presidencialismo. Em 24 de fevereiro de 1868, Andrew Johnson, que chegou à Casa Branca após Abraham Lincoln ser assassinado, foi afastado, após responder a 10 acusações de “altos crimes e contravenções”. Em 1998, Bill Clinton escapou da cassação depois de mentir sobre Lewinsky. Ele chegou a ser acusado de 11 crimes pela Câmara e respondeu por perjúrio e obstrução de Justiça. Foi salvo pelo Senado.

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