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Detido na França o atual líder máximo do ETA

Mikel Irastorza permanecia foragido da justiça e foi capturado na região francesa de Ascain, no Departamento dos Pirineus Atlânticos, perto da fronteira com a Espanha

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postado em 05/11/2016 18:33

A organização separatista basca ETA sofreu neste sábado (05/11) um duro revés com a detenção no sul da França de Mikel Irastorza, considerado o atual líder máximo do grupo armado. Irastorza, que "permanecia foragido da justiça", foi detido na região francesa de Ascain, no Departamento dos Pirineus Atlânticos, perto da fronteira com a Espanha, informou o ministério do Interior espanhol em um comunicado.

Segundo o ministério, Irastorza, "foragido desde 2008, exercia a responsabilidade máxima na organização terrorista ETA e ditava as diretrizes que deveriam ser seguidas por todas as estruturas que a compunham". O homem foi detido "no interior de uma casa" durante um dispositivo dirigido "contra a estrutura da direção do ETA".


A operação "continua aberta e não estão descartadas novas detenções", acrescentou o texto. Irastorza, de 41 anos, originário da cidade espanhola de San Sebastián (norte), dirigia o aparato político do grupo separatista, explica Madri.

O casal que o alojava, o espanhol Xabi Arin Baztarica e Denise, uma mulher francesa cujo sobrenome não foi revelado, também foi detido. Xabi Arin Baztarica, de 59 anos, é um basco instalado há tempos no País Basco francês, onde trabalhava como diretor em uma empresa de móveis em Hendaya. Denise tem 56 anos.

Esta operação foi realizada de forma conjunta pela Direção Geral de Segurança Interior (DGSI) francesa e pela Guarda Civil espanhola, afirma o comunicado do ministério. A detenção é "um duro golpe nas estruturas do ETA", insiste Madri, porque representa "a eliminação de sua estrutura de direção, encarregada de dirigir a gestão do arsenal armamentístico e explosivo".

Duzentos manifestantes se concentraram à tarde em Ascain para protestar contra a operação policial, atendendo ao chamado de vários movimentos nacionalistas bascos. Poucas horas após a prisão, o novo ministro do Interior, nomeado na quinta-feira, Juan Ignacio Zoido, declarou à imprensa que até "que a entrega definitiva das armas e a dissolução do grupo terrorista ocorra, seguiremos a partir do governo da Espanha lutando contra o terrorismo".

As detenções foram realizadas sob a autoridade da Procuradoria antiterrorista de Paris e os três suspeitos precisam ser levados à capital francesa para ser apresentados ante um magistrado deste órgão. Na sexta-feira foi aberta uma investigação preliminar por "associação de malfeitores com fins terroristas".

Capacidade operacional reduzida

O ETA, fundado em 1959, é considerado responsável pela morte de ao menos 800 pessoas em mais de 40 anos de luta armada pela independência do País Basco e de Navarra. Nos anos 1970-1980, comandos para-policiais criados pelo governo espanhol, como o GAL (Grupos Antiterroristas de Libertação), travaram uma guerra suja contra o grupo armado.

Em 2010, o ETA anunciou o fim dos atentados e um ano depois renunciou à luta armada, mas se negou a entregar as armas e a se dissolver, como exigem os governos espanhol e francês. No dia 12 de outubro, França e Espanha anunciaram o desmantelamento de um esconderijo com armas do ETA em Carlepont, 120 km ao norte de Paris.

Em um comunicado com data de 18 de outubro, o ETA acusou Espanha e França de não querer "buscar soluções razoáveis" para a paz no País Basco. Sua capacidade operacional estaria bastante reduzida, após anos de ações policiais em ambos os lados da fronteira franco-espanhola e depois de perder parte do apoio na sociedade basca.

A grande maioria de seus membros estão presos, com 400 detidos, 90 deles na França. Apenas vinte seguem foragidos, segundo as forças antiterroristas espanholas e francesas.

Arnaldo Otegi, ex-membro da ETA e agora um firme defensor de se conquistar a independência pela via política, é o principal dirigente do atual movimento nacionalista basco espanhol Sortu.

Otegi foi posto em liberdade em março de 2016 depois de mais de seis anos de prisão por ter tentado refundar o partido basco Batasuna, braço político da ETA, transformado em organização ilegal.

 

Por France Presse 

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