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Próximo presidente dos EUA terá desafio de suceder o carismático Obama

Distribuição de forças no Congresso será crucial para definir os rumos do próximo governo

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postado em 06/11/2016 06:00 / atualizado em 06/11/2016 14:30

Gabriela Freire - Enviada Especial

AFP / NICHOLAS KAMM


Miami — No universo dos chefes de Estado, ele é o rei do carisma. Tira de letra entrevistas e discursos, canta, dança e conta piadas. Depois de Barack Obama ter cativado o eleitorado norte-americano com a inspiradora mensagem “Sim, nós podemos”, o próximo morador do número 1.600 da Avenida Pensilvânia, em Washington, terá dificuldades, caso queira acompanhar o magnetismo do democrata. Enquanto Obama encerra seus oito anos de governo com cerca de 50% de aprovação entre os americanos — pouco comum para o fim de dois mandatos consecutivos —, quem quer que seja seu sucessor fará a mudança para a Casa Branca carregando na bagagem altos índices de rejeição.

Em meio a todas diferenças que os separam, a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump se convergem nos mais de 50% de norte-americanos que têm impressão negativa sobre ambos (veja o gráfico). Barbara Kellerman, diretora do Centro para Liderança Pública da Universidade de Harvard, observa que os altos índices de rejeição dos dois principais concorrentes à Casa Branca podem tornar o início de um novo governo mais complicado do que em anos anteriores.

Além da dificuldade em disseminar o espírito de trabalho em equipe por Washington e aprovar leis no Congresso, ela ressalta que os ataques destrutivos entre os candidatos durante a campanha podem continuar a ter efeito no início do próximo mandato. “Isso rasga o corpo político americano e não está claro quão facilmente isso pode se recuperar”, pondera. “Provavelmente, será mais fácil se o vencedor ganhar por uma margem grande. Se Hillary vencer por uma vantagem pequena, Trump pode alegar fraude.”

 

 

Estilo próprio

Embora a candidata democrata seja vista como uma política tradicional, cujo estilo de liderança é conhecido por quem a acompanhou no Senado e à frente do Departamento de Estado, Kellerman avalia que, caso eleita, Hillary enfrentaria uma situação peculiar para diferenciar o seu governo dos oito anos de mandato de Obama. “Trump ignoraria o antecessor e tomaria decisões contra ele. No entanto, Hillary teria um trabalho mais complicado, por suceder alguém a quem ela serviu como secretária e de quem é correligionária”, compara. “Até estabelecer seu estilo de liderança e sua preferência política, Hillary terá de estar mais atenta ao estilo e às escolhas de Obama.”

Ainda que o carisma seja uma desejada arma para vencer uma eleição, essa virtude não é determinante para o sucesso de um governo, especialmente quando a implementação de políticas depende do Congresso. “O alto grau de conflito partidário enfrentado por Obama tornou sua popularidade quase irrelevante”, lembra Robert Shapiro, professor de ciência política da Universidade de Colúmbia.

Legislativo


O analista recorda que, mesmo que o prestígio de Obama tenha ajudado no início de governo, o que realmente importou foi o controle dos democratas, tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados. A expectativa para a disputa pelas vagas do Congresso, que ocorre em paralelo à campanha presidencial, é de que os democratas recuperem a maioria no Senado por uma margem estreita. As esperanças de vantagem mais confortável e até de ampliação da bancada na Câmara dos Deputados têm aumentado à medida que as polêmicas de Trump respingam sobre os candidatos do Partido Republicano ao Legislativo.

Assim como Shapiro, Randy Kluver, professor de comunicação da Universidade do Texas A&M, crê que o período de transição tende a ser mais fácil para Hillary, graças à experiência da candidata, do que para Trump. “Muitos funcionários de alto escalão do governo não vão querer trabalhar para ele. Além disso, suas promessas para a política externa são bastante diferentes, e levaria algum tempo para transformar as políticas ao seu redor”, argumenta. Kluver acredita que nenhum dos candidatos teria um mandato tão popular quanto o de Obama, e considera que ambos estariam “seriamente aleijados” nesse quesito. “Muitas pessoas pensam que, independentemente de quem vença, provavelmente o próximo presidente terá apenas um mandato”, vislumbra.

A repórter viajou a convite do Departamento de Estado norte-americano


“Até estabelecer seu estilo de liderança e sua preferência política, Hillary terá de estar mais atenta ao estilo e às escolhas de Obama”
Barbara Kellerman, diretora do Centro para Liderança Pública da Universidade de Harvard

 

 

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