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Governo Temer deve torcer por Hillary Clinton para a presidência dos EUA

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postado em 06/11/2016 06:05

Paulo de Tarso Lyra /Correio Braziliense

Nelson Almeida/AFP


Ainda que discretamente, sem manifestações oficiais, o governo brasileiro torce por uma vitória da democrata Hillary Clinton na próxima terça-feira ou, na melhor das hipóteses, que uma possível eleição do republicano Donald Trump não tumultue as relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos. Especialmente em um momento de reafirmação do país, com a troca de comando no Executivo e uma alteração no eixo de relação diplomática com o mundo.

Durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, particularmente no segundo mandato, com a chegada de Barack Obama ao poder no Estados Unidos, o foco da diplomacia estava mais voltado para os países africanos e para a América Latina. Durante o governo Dilma Rousseff, tudo foi praticamente paralisado.

Obama chegou a visitar o país em 2011, no início do primeiro mandato da petista. Parecia um sinal de que as relações, esgarçadas ao fim do segundo mandato de Lula, seriam retomadas. As coisas acabaram não acontecendo como se esperava, pioraram com o episódio de espionagem revelado por Edward Snoden e estão, lentamente, começando a serem reatadas. A ideia do governo Temer é retomar as relações com todos, independente da questão ideológica, visando, especialmente, as questões comerciais.

Durante a visita do secretário de Estado americano, John Kerry, ao Brasil, em agosto passado, para participar da abertura dos jogos olímpicos Rio-2016, o chanceler José Serra destacou alguns números que comprovavam, segundo ele, as excelentes relações entre o Brasil e os Estados Unidos. “Os Estados Unidos são os nossos maiores investidores externos, com US$ 116 bilhões em recursos aportados por aqui”, destacou o tucano.

À época, Serra lembrou que boa parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos são de produtos manufaturados. “O que significa valor agregado”, destacou. Ele ainda demonstrou que há, de contrapartida, um aumento nos investimentos brasileiros em território americano. “Esse volume praticamente triplicou, passando de US$ 7,3 bilhões em 2009 para R$ 22,3 bilhões em 2014”, enfatizou o chanceler. Diante do democrata John Kerry, Serra brincou, ao desejar êxito nas eleições americanas. “Não vou dizer em quem eu votaria, mas vocês devem imaginar”, arrancando risos do secretário de estado americano.

Exótico

Durante sabatina, em agosto, no Senado, antes de assumir o cargo de embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral foi questionado pelos senadores sobre as eleições americanas e os cenários possíveis a partir da eleição de Trump. “Ele foge às regras da política americana, é um outsider com propostas bastante exóticas.”

Amaral colocou alguns questionamentos, contudo, aos senadores. “Será que, se porventura, ele for eleito, manterá as mesmas posições ou é apenas um discurso eleitoral?” O embaixador ponderou que as instituições americanas são bastante fortes, incluindo imprensa, judiciário e Congresso Nacional, o que deixa pouca margem para aventureiros.

Amaral alertou, contudo, que as palavras de Trump não são isoladas, reverberam um pensamento existente em boa parte da população americana, insatisfeita com os rumos da globalização e com o aumento das desigualdades sociais nos Estado Unidos. “Essa pressão dos eleitores é importante. Tanto que, em vários momentos, a própria Hillary sinalizou com um maior protecionismo e sinalização de restrições ao livre comércio”, assinalou o embaixador.

O diplomata acrescentou ainda que diversos acordos comerciais importantes estão pendentes de conclusão, à espera do desfecho das eleições americanas, como o Acordo Transpacífico e com a União Europeia (UE). “Isso é bom ou ruim para nós? Temos questões tarifárias e comerciais ainda pendentes e um atraso nesse cronograma poderia ser bom para nós”, disse Amaral, durante a sabatina.


Interlocutores do governo afirmam, contudo, que não há uma regra a ser esperada na disputa de terça-feira. Tradicionalmente, democratas são mais protecionistas do que republicanos. Mas o governo Lula teve boa relação com George Bush, e Fernando Henrique, com Bill Clinton. “Temos que esperar para ver como será nossa postura. O que importa é nossa disposição em reatar relações com parceiros importantes para nós”, disse um diplomata brasileiro ao Correio.

 

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