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FBI não vai indiciar Hillary Clinton e renova fôlego da democrata

A declaração pode facilitar o acesso de Hillary à Casa Branca, avaliaram especialistas e assessores da candidata

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postado em 07/11/2016 06:00 / atualizado em 07/11/2016 10:56

 

Onze dias antes da Super Terça, o diretor do FBI detonou uma bomba sobre a campanha de Hillary Clinton, afirmando que a polícia federal americana poderia denunciá-la sobre o uso de um servidor privado para trocar e-mails oficiais, quando ela era secretária de Estado. Ontem à tarde, a poucas horas da votação, James Comey, que é republicano, jogou um balde d’água no incêndio que ajudou a deflagrar. Em um comunicado de 10 linhas ao Senado, ele informou que as novas mensagens eletrônicas encontradas não justificam a apresentação de acusações formais contra a candidata democrata.

“Com base na nossa revisão, não modificamos as conclusões que já expressamos em julho com relação à (ex) secretária Clinton”, escreveu o diretor do FBI na sucinta carta. A declaração pode facilitar o acesso de Hillary à Casa Branca — especialistas e assessores da candidata avaliaram que o anúncio da investigação roubou votos da democrata, pois foi feito quando eleitores já haviam começado a votar (nos Estados Unidos, é possível ir às urnas antecipadamente). O republicano Donald Trump explorou avidamente o assunto dos e-mails, dizendo repetidas vezes que, se ganhasse as eleições, a colocaria na cadeia.

Minutos depois da divulgação do comunicado de James Comey, a encarregada de comunicações da campanha da democrata, Jennifer Palmieri, comemorou a decisão. “Nós nos alegramos de que esse assunto tenha sido resolvido”, disse, em um breve encontro com os jornalistas. Pelo Twitter, o porta-voz da campanha de Hillary, Brian Fallon, afirmou que “sempre confiou” que a candidata não seria denunciada. “Agora, o diretor Comey confirmou isso.”

 

Jim Watson / AFP
 

Corrida


Mesmo antes do anúncio do FBI, Hillary Clinton abriu uma margem de vantagem — apertada — contra Trump. Ontem, uma pesquisa divulgada pela rede NBC e o Wall Street Journal mostrou que a ex-secretária de Estado tem 44% das intenções de voto, contra 40% do oponente — dois pontos percentuais acima do registrado no fim de semana anterior. Na contagem regressiva para a Super Terça, os dois candidatos não se deram ao luxo de uma pausa e aproveitaram cada momento do domingo para fisgar eleitores em potencial.

A agenda oficial do Partido Democrata registrava 22 compromissos de campanha ontem. Dois tiveram a participação de Hillary: um comício em Cleveland, Ohio, e um show em Manchester, New Hampshire. Em ambos os eventos, ela recebeu uma mãozinha dos famosos. No primeiro, o astro do basquete LeBron James foi o cabo eleitoral. No segundo, marcado para as 20h locais (23h de Brasília), a atração principal era o cantor James Taylor. Já na Flórida, o destaque foi o presidente Barack Obama, que se juntou ao cantor Stevie Wonder em Kissimmee para angariar eleitores.

O domingo do republicano Donald Trump não foi menos agitado. Ele fez um tour por cinco estados das regiões norte-nordeste: Iwoa, Minessota, Michigan, Pensilvânia e Virgínia. “O impulso está do nosso lado”, disse à rede de televisão ABC Reince Priebus, presidente do Comitê Nacional do Partido Republicano. Hoje cedo, Trump volta à Flórida, considerada crucial para os dois candidatos.

Cartas na manga


A disputa acirrada convenceu a equipe da ex-secretária de Estado a encerrar a campanha hoje com as cartas mais pesadas que tem na manga: ela levará ao palco seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, acompanhado de Obama e de sua extraordinariamente popular esposa Michelle. Robby Mook, um dos porta-vozes da campanha de Hillary, disse que Trump precisará vencer as eleições em todos os estados onde a disputa é acirrada para chegar à Casa Branca. “Se nós vencermos na Pensilvânia e na Flórida, não há opção para Trump”, disse. Por sua vez, Reince Priebus respondeu: “Se ganharmos um estado como Michigan, verão que isso estará liquidado”.

Para além da diferença entre os dois candidatos nas pesquisas, o sistema eleitoral americano determina que a briga é vencida ou perdida no Colégio Eleitoral, onde serão necessários 270 dos 538 votos para alcançar a presidência. Além disso, na maioria dos estados, o vencedor leva todos os votos, e por isso a disputa em alguns deles, como a Flórida, que atribui 29 votos, é encarada como fundamental.

Para a equipe de campanha de Hillary, a insistência de Trump em Michigan é apenas um ato desesperado. “Nós nos sentimos bem, estamos encerrando a campanha de forma muito forte, mas é óbvio que temos uma incrível quantidade de trabalho para fazer”, declarou o coordenador da campanha de Hillary, John Podesta. Um estudo da empresa Catalist, que trabalha com base de dados eleitorais, apontou um crescimento na expectativa de voto nas comunidades latinas dos Estados Unidos, tendência que pode beneficiar Hillary substancialmente. Ao longo de toda a campanha, ela mirou o eleitorado hispânico, que, historicamente, comparece pouco às urnas.

 

"Com base em nossa revisão, não modificamos as conclusões que já expressamos em julho"


James Comey, diretor do FBI

 

 

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