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Resultado de votação na Flórida será decisivo para definir novo presidente

É um dos mais divididos do país e os eleitores tendem para o lado republicano ou democrata, conforme o ciclo eleitoral

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postado em 07/11/2016 06:00

Nahima Maciel

Gaston de Cardenas / AFP
 

 

Com uma população de 18,9 milhões de habitantes (de acordo com o censo de 2014) e um total de 29 votos no Colégio Eleitoral, o que representa pouco mais de 10% dos 270 votos necessários para eleger o presidente dos Estados Unidos, a Flórida é considerada um estado decisivo e complexo. É um dos mais divididos do país e os eleitores tendem para o lado republicano ou democrata, conforme o ciclo eleitoral. Conhecido como “swing state”, é um território cujo resultado costuma ser imprevisível e pode ajudar a definir as eleições.

Várias particularidades fazem da Flórida uma caixa de surpresas. Há uma grande população formada por imigrantes cubanos mais conservadores e inclinados a votar nos republicanos, mas isso pode mudar, especialmente com as declarações de Donald Trump sobre a imigração. A população de migrantes internos vindos do norte, muitos aposentados, é, tradicionalmente, mais liberal. As áreas rurais são mais conservadoras. Os democratas costumam vencer nas grandes cidades. “O estado é dividido em linhas raciais, com brancos, especialmente aqueles com menos instrução, votando nos republicanos junto com os cubanos”, explica Robert Shapiro, professor da Universidade de Columbia (Nova York) e especialista em mídia, liderança política e opinião pública.

A Flórida, Shapiro explica, também tem uma população importante de judeus que são tradicionalmente democratas, embora os republicanos consigam algum apoio entre eles eventualmente. Os imigrantes latinos não cubanos, de forma geral, também votam nos democratas. O norte costuma ser mais conservador enquanto os condados do sul — como Dade, Broward e Palm Beach — pendem para os democratas. O centro do estado é a região de maiores divisões.

São cerca de 3 milhões de eleitores independentes e a quantidade de democratas e republicanos registrados é mais ou menos a mesma — 4,4 milhões e 4,6 milhões, respectivamente. “Por isso é chamado de swing state”, diz Dewey Clayton, professor de Ciências Políticas na Universidade de Louisville. “É um estado que não vota sempre pelo mesmo partido. Os partidos estão tentando ganhar esses votos.” Grande parte das pesquisas deram vantagem de 1,7 ponto para a democrata Hillary Clinton na Flórida nos últimos meses. No entanto, os números nacionais da candidata, que já esteve oito pontos à frente do concorrente, caíram nos últimos dias. Pesquisa divulgada pelo instituto Rasmussen na semana passada apontava uma diferença de três pontos com Hillary Clinton à frente, com 45,7%, e o republicano Trump em seguida, com 42%. O vazamento das investigações do Federal Bureau of Investigation (FBI) relativas aos e-mails da ex-secretária de Estado pode ter influenciado na queda.

Oscilantes


Além da Flórida, há pelo menos 10 outros estados considerados “swing states”, incluindo Ohio, Pennsylvania, Iowa, Virginia, Colorado, Carolina do Norte e Minnesota. Nessas regiões, não basta o candidato obter a maioria dos votos da população, ele precisa da maioria entre os delegados. “O conceito de swing state é relativamente simples; refere-se a um estado que possui razoável número de votos no colégio eleitoral e cujo eleitorado tradicionalmente se divide entre os dois maiores partidos americanos”, explica Antonio Jorge Ramalho da Rocha, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (IREL/UnB). “Além disso, a campanha de Trump gerou muita polêmica com relação aos latinos e a imigrantes ilegais, que são muito numerosos na Flórida. Tradicionalmente o estado acolhe latinos de orientação política conservadora, o que complica qualquer previsão acerca de seu comportamento eleitoral.”

Os “swing states” são importantes por causa da maneira como é organizado o sistema eleitoral americano. Cada partido começa sua campanha pelos estados nos quais, tradicionalmente, tem o maior número de vencedores. Em seguida, precisam se concentrar nos estados divididos, como a Flórida. Nesses locais, são concentrados os maiores esforços de campanha e os maiores investimentos. “E a Flórida tem muitos votos no Colégio Eleitoral por causa de sua população, então é importante que os candidatos ganhem por lá”, garante Timothy Hagle, pesquisador de política americana na Universidade de Iowa.

O estado, frequentemente, é alvo de atenção da população americana quando se trata de eleições. Em 2000, quando o republicano George W. Bush ganhou do democrata Al Gore no Colégio Eleitoral, a Flórida precisou passar por recontagem de votos. Bush havia perdido na votação geral, na qual ficou com 47,87% dos votos, pouco a menos que os 48,38% destinados a Al Gore, embora tivesse ganhado no Colégio Eleitoral. Com Barack Obama (Democrata), em 2008, não houve problema. Mas, para os analistas, desta vez, quem precisa ganhar no estado é Donald Trump. “Ele, particularmente, teria que ganhar na Flórida para vencer a presidência. Já Clinton pode vencer sem a Flórida”, avalia Robert Shapiro.

 

29
votos no Colégio Eleitoral, o equivalente a pouco mais de 10% dos 270  necessários para eleger o presidente
 

 

 

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