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Os principais desafios de Hillary ou Trump no cargo mais influente do mundo

Próximo presidente dos Estados Unidos lidará com cenários complexos nas políticas doméstica e externa e precisará do apoio do Congresso

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postado em 08/11/2016 09:24 / atualizado em 08/11/2016 09:51

Rodrigo Craveiro

 Justin Sullivan/Getty Images/AFP  MANDEL NGAN


De um lado, um republicano que pretende expurgar a imigração ilegal, revogar decisões populares do governo de Barack Obama e tomar medidas controversas na economia. Um magnata conservador que ganhou fama pelo discurso intempestuoso e intolerante. De outro lado, uma democrata envolta em um escândalo, após usar um servidor privado de e-mails quando era secretária de Estado. Uma política nata, que deseja honrar o legado do primeiro presidente afro-americano da história. Na madrugada de amanhã, o mundo deverá conhecer quem será o próximo ocupante do Salão Oval da Casa Branca. Donald Trump ou Hillary Clinton, qualquer um que vencer as eleições de hoje terá pela frente desafios monumentais e precisará de talento e de sorte para evitar a paralisia da nação mais poderosa do planeta.

Para comandar os EUA, será necessário jogo de cintura para lidar com um Congresso dividido, com o lobby dos planos de saúde e com interesses econômicos.

Caso Trump contrarie as pesquisas recentes — em sondagem da emissora ABC News, ele aparece com 41% contra 47% para Hillary — e saia vencedor, uma das conquistas sociais de Barack Obama estará fadada à extinção imediata. “Trump e um Congresso republicano vão revogar o Obamacare, resultando em cortes massivos de cuidado à saúde para dezenas de milhões de norte-americanos”, alerta ao Correio Bruce Ackerman, professor de direito e de ciência política da Universidade de Yale. Uma decisão com custo a longo prazo, segundo o analista. “Trump terá que confrontar as consequências eleitorais dessa resolução em 2018, quando haverá um esforço mobilizado de repúdio ao Partido Republicano pelo ataque ao bem-estar social. Isso vai preparar o caminho para outra campanha presidencial divisiva, em 2020”, acrescenta.

Ackerman aposta que os desafios do próximo presidente dependerão do resultado das eleições para o Congresso. Uma vitória de Trump deve resultar na maioria republicana no Senado e na Câmara dos Deputados, o que daria força ao magnata para implementar o seu programa de governo. “Qualquer coisa que ocorra envolverá expulsões em massa de imigrantes não documentados e severas restrições sobre a imigração, além de revogação das iniciativas de saúde de Obama.” O especialista prevê que, caso Clinton se torne a primeira mulher presidente dos EUA, terá maioria apertada no Senado e será obrigada a confrontar uma base republicana majoritária na Câmara. Cenário que barraria legislações progressistas, obrigando-a a governar por decreto.

“A situação geral será uma continuidade da paralisia governamental dos anos de Obama.”

No cenário interno, a economia deve exigir medidas impopulares do novo mandatário. Eric Maskin, professor de economia da Universidade de Harvard e ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2007, aposta que o principal desafio doméstico do novo ocupante da Casa Branca será melhorar as condições das classes de baixa e de média renda. “O plano de Trump de cortar impostos dos mais ricos não seria bom. Seu programa econômico é incoerente e perigoso. Ele propõe grande acordo de gastos adicionais, e, ao mesmo tempo, defende imensos cortes tributários”, afirma ao Correio.

Ao declarar guerra aos 11,5 milhões de ilegais, Trump pode perder votos valiosos dos hispânicos, que devem comparecer às urnas em peso, hoje. De acordo com pesquisa do instituto Pew Research Center, os estrangeiros não documentados somam 5% da força de trabalho. Hillary entende que, em vez da xenofobia de Trump, os EUA precisam reconhecer os esforços dos imigrantes e a sua contribuição para a economia. Medidas impopulares podem criar mal estar diplomático com o México e aguçar o descontentamento latino. “Ao contrário de Trump, Hillary reconhece o importante fato de que os EUA se tornaram uma grande nação por causa da imigração”, aponta Maskin.

Estabilidade
A política externa promete ser uma área pantanosa, capaz de representar riscos à estabilidade mundial. O tema da reaproximação diplomática com Cuba, uma das principais heranças de Obama, é um dos anacronismos entre republicanos e democratas. Em mais de uma ocasião, Trump sinalizou com o cancelamento do acordo com Havana, ao qual se referiu como “bastante fraco”, e exortou a assinatura de novo pacto. Sob um eventual governo Trump, o Congresso republicano praticamente descartaria o levantamento do embargo econômico à ilha socialista.

Ackerman crê que Clinton apoiará a abertura a Cuba e manterá a intervenção no Afeganistão, no Iraque e na Síria. “O comportamento errático de Trump pode gerar confrontos militares com a Rússia e a China, deflagrando uma terrível tragédia nuclear”, adverte. Durante a campanha política, o Estado Islâmico (EI) suscitou fortes debates. Hillary acusa Trump de “alimentar” os jihadistas com a retórica racista. O republicano adverte que a facção tomará os EUA, caso a democrata vença, e sugere relegar a guerra na Síria para o segundo plano. “Nós vamos acabar na Terceira Guerra Mundial sobre a Síria, se escutarmos Hillary”, disse Trump.

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