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Correio Braziliense

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Trump-Clinton, duelo nova-iorquino a 3 quilômetros de distância

No meio dos candidatos está uma multidão de nova-iorquinos e turistas, muitas vezes desgastados por uma campanha que rachou o país

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postado em 08/11/2016 18:33

Donald Trump escolheu grande hotel um tanto banal da sexta Avenida de Nova York. Hillary Clinton preferiu alugar o gigantesco centro de conferências Javits, à beira de Hudson, para acompanhar os resultados da eleição presidencial americana mais polarizada dos últimos tempos.

Entre os dois locais, pouco mais de três quilômetros onde se concentram arranha-céus e cartões postais da cidade que melhor representa a potência americana.

No meio, uma multidão de nova-iorquinos e turistas, muitas vezes desgastados por uma campanha que rachou o país.

 

'Será o caos'

 

No Hilton Midtown, o ambiente é "business as usual". A poucas quadras da Trump Tower, edifício emblemático do império imobiliário do candidato republicano, não há nenhum indício do terremoto que representaria uma vitória imprevisível do truculento bilionário.

O hotel está lotado e o vai e vem de hóspedes é constante. No segundo andar, longe do olhar dos curiosos, técnicos terminam de instalar o sistema de som e os telões no salão que deve receber até 2.360 pessoas.

"De qualquer jeito, será o caos. Que ele vença ou não", avisa Mark, funcionário que varre na frente da entrada. "Ele não é conhecido por ser um bom perdedor", enfatiza.

Algumas quadras mais ao sul, na frente do elegante Rockefeller Center, turistas não escondem a decepção. A famosa pista de patinação no gelo fechou, por conta da logística impressionante do canal aberto NBC, que fez do local seu quartel geral de cobertura.

Patricia Volino e seu marido, Alberto, que vieram de Nova Jersey com os dois filhos, estão visivelmente frustrados. Patricia, porém se anima com o momento histórico que o país se prepara a viver nesta terça-feira.

"Sou fã de Hillary de primeira hora, faz oito anos que aguardo esse momento", afirma, lembrando que a candidata democrata perdeu para Barack Obama nas primárias de 2008.

Esse tipo de apoio incondicional vem fazendo falta a Hillary, mas é mais comum em Nova York, cidade que vota tradicionalmente no partido democrata.

Afinal, Nova York não seria Nova York sem os grandes teatros de Broadway, muito próximos do QG de Trump, e ao mesmo tempo símbolos do mundo do 'show business', no qual a candidata conta com apoio maciço e entusiasta.


'Todos republicanos'

 

Na frente da sede do New York Times, um homem negro usa uma capa e um "sombrero", chapéu típico do México, "por solidariedade com os imigrantes mexicanos" e ostenta uma placa com a mensagem: "Trump tem seu lugar na TV, não na Casa Branca".

Quem para para assistir a cena pode até ganhar um brinde: basta citar cinco motivos para não votar no republicano para receber uma camiseta com caricatura do bilionário com o bigode de Hitler.

Essa parte de Nova York também concentra a maior parte dos turistas, como Micki Gibson, que para assiste, deslumbrada, ao espetáculo de luzes de Times Squares, dois dias depois de ter participado da maratona com seus filhos.

"Na nossa casa, na Carolina do Sul, somos todos republicanos e votamos todos em Trump. Não gostamos muito da atitude dele, mas não temos escolha. Ele é imprevisível e não sabe controlar a lábia", admite. "Mas estou muito impressionado com Mike Pence (candidato a vice na chapa de Trump), ele deveria ser presidente um dia!", opina.

 

 'De saco cheio' da eleição

 

Logo atrás de Times Square, na rodoviária de Port Authority, muitas pessoas compram suas passagens para chegar a tempo do trabalho para votar.

Slu Stone, marceneira de 36 anos está indo para Chicago. Ela não acompanhará os resultados na televisão porque "está de saco cheio".

Ela ainda não sabe se vai votar em Hillary, mas tem "certeza que não vai votar em Trump", que acha "estúpido",

A dez minutos a pé dessa rodoviária, Hillary receberá seus partidários à noite, no centro de conferências Javits, conhecido por ter um grande teto de vidro.

"Ainda bem que já está terminando, essa campanha foi diferente das outras", confessa Donna Thomas, segurança do local.

A jovem mulher negra vota em Hillary. "Se ela perder, só nos resta torcer para que dê tudo certo", suspira.

 

Por France Presse 

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