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Estado Islâmico segue firme após lançamento de ofensiva na Líbia

No dia 12 de maio, o governo líbio de união nacional (GNA) anunciava o início da batalha de Sirte, às margens do Mediterrâneo, 450 km a leste de Trípoli

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postado em 11/11/2016 12:47 / atualizado em 11/11/2016 13:55


Trípoli, Líbia
- Controlam apenas um pequeno bairro, mas os extremistas seguem resistindo em Sirte seis meses depois do lançamento da ofensiva de reconquista da única cidade controlada pelo grupo Estado Islâmico (EI) na Líbia.

No dia 12 de maio, o governo líbio de união nacional (GNA) anunciava o início da batalha de Sirte, às margens do Mediterrâneo, 450 km a leste de Trípoli.

As primeiras semanas foram promissoras. A operação conseguiu tomar deles a maior parte desta cidade, conquistada em junho de 2015 pelo EI em uma tentativa de fincar raízes na Líbia para, a partir dali, propagar sua influência ao norte da África.

Os combates aos extremistas deixaram mais de 667 mortos e 3.000 feridos nas fileiras das forças pró-governamentais.

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A batalha se estanca, entre outros motivos, pela prudência das forças pró-GNA para limitar as baixas e proteger os civis presos na cidade, cujo número é desconhecido.

"A batalha dura mais tempo que o previsto", afirma Mattia Toaldo, especialista da Líbia no centro de reflexão European Council on Foreign Relations.

Os extremistas estão entrincheirados no pequeno bairro de Al Giza al Bahriya, que defendem ferozmente.

"O atraso do ataque final se deve (...) principalmente ao fato de que são combates muito violentos e que o Daesh (acrônimo em árabe do EI) está decidido a defender suas posições até o último metro quadrado", explica à AFP Rida Isa, porta-voz das forças pró-governamentais.

Ethan Chorin, um ex-diplomata americano em Trípoli e atualmente consultor, vê outros motivos para este estancamento.

"Nem todos os que lutam contra o EI em Sirte com o apoio ocidental estão motivados, nem muito bem organizados", afirma.

Segundo Isa, o mais importante para as forças leais ao GNA é preservar a vida dos combatentes "e também dos civis usados pelo Daesh como escudos humanos, por isso é preciso avançar lentamente e de forma repentina".

"Nossos combatentes ouvem os gritos dos civis a partir das casas sempre que um bombardeio é lançado. Não sabemos quantos estão lá, mas sabemos que o Daesh não os deixa sair", conta.

Toaldo confirma isso: "Eles se depararam com uma resistência com a qual não contavam por parte do EI (...) que utiliza reféns, complicando qualquer ataque aos edifícios nos quais os extremistas se escondem".

Esta guerra custa caro aos dois grupos.

O balanço de mortos nas fileiras dos combatentes do EI não pode ser verificado através de fontes independentes, mas Rida Isa afirmou à AFP que entre 1.800 e 2.200 morreram desde o início da operação.

Na quarta-feira, o comando das forças americanas na África anunciou a retomada dos bombardeios aéreos contra o EI em Sirte após mais de uma semana de suspensão, no âmbito de uma operação lançada no dia 1º de agosto em apoio aos combatentes pró-GNA.

Desde então, a aviação americana realizou 368 ataques.

Agora que os extremistas estão cercados em menos de um quilômetro quadrado, "é difícil saber qual será o impacto dos bombardeios americanos", por mais precisos que sejam, estima Toaldo.

Uma derrota do EI em Sirte desferiria um golpe duro ao grupo extremista, que sofreu nos últimos meses uma série de fracassos militares no Iraque e na Síria, especialmente contra seus redutos de Mossul (norte do Iraque) e Raqa (norte da Síria).

A resistência dos últimos combatentes do EI é violenta e desesperada porque os que não fugiram da cidade preferem morrer a ser capturados vivos. Alguns detonam seus explosivos pelos ares ao volante de veículos repletos de explosivos que lançam contra as forças pró-governamentais.

Por France Presse

"A batalha não é simples (...) combatemos uma ideologia extremista radical", afirma Rida Isa.

"Um inimigo como este só pode ser aniquilado se todos os seus combatentes forem mortos. É o que faremos (...). É certo que esta batalha durou muito, mas é uma guerra, não uma partida de futebol com um início e um fim" em 90 minutos, concluiu o porta-voz das forças pró-GNA.

Por France Presse

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