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'Trump não é ideológico, é pragmático', diz Obama em coletiva pós-eleição

"Se eu tenho preocupações? É claro que tenho. Ele e eu divergimos em muitos assuntos. Mas o governo federal e nossa democracia não são como uma lancha de velocidade, são como um navio de cruzeiro", reconheceu o atual presidente

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postado em 14/11/2016 22:45

O presidente americano, Barack Obama, admitiu nesta segunda-feira (14/11) ainda ter preocupações sobre seu sucessor, Donald Trump, mas disse se sentir reconfortado com o fato de o republicano parecer mais pragmático do que ideológico.

"Eu não acho que ele seja ideológico. Acho que ele é pragmático", disse Obama a jornalistas em sua primeira coletiva desde a eleição do republicano para lhe suceder na Casa Branca.

"E isto pode lhe servir bem, uma vez que ele tenha boas pessoas à sua volta e um senso claro de direção", prosseguiu.

"Se eu tenho preocupações? É claro que tenho. Ele e eu divergimos em muitos assuntos. Mas o governo federal e nossa democracia não são como uma lancha de velocidade, são como um navio de cruzeiro", reconheceu.

Obama pedirá ao republicano que não ponha em risco o status migratório dos estrangeiros que foram levados ilegalmente para os Estados Unidos quando ainda eram crianças.

Nesse sentido, "urgirá" Trump a "pensar longa e seriamente antes de pôr em perigo o status" desses imigrantes, os quais considera como sendo americanos - "para todos os efeitos práticos" - e que estão protegidos da deportação por seu programa DACA ("Ação Diferida para a Chegada de Jovens Imigrantes", em português).
 
 
O presidente democrata também acredita em que será difícil para Trump conseguir desmantelar o acordo nuclear com o Irã, ou os tratados para combater a mudança climática.

"Fica mais difícil desfazer algo que está funcionando", alegou Obama na coletiva, explicando que, como presidente, "você é responsável pelo acordo e por evitar que o Irã adquira armas nucleares".

No caso do Irã, afirmou, "não é apenas um acordo entre nós e os iranianos. É com o Grupo 5+1. Alguns são aliados próximos", o que significa que romper os acordos terá um custo político enorme.

Obama antecipou que pretende tranquilizar seus aliados europeus sobre o compromisso de Washington com esse continente, na última viagem presidencial que fará a vários países, assim como ao Peru, onde participará de uma cúpula da Apec.

Ele quer garantir aos europeus que "não há uma quebra no compromisso dos Estados Unidos em manter uma relação forte e robusta com a Otan (a Organização do Tratado do Atlântico Norte)".

Contou ainda ter dito a Trump, no encontro de quinta-feira passada, que "os gestos importam".

"É realmente importante tentar enviar um sinal de unidade, tentar fazer contato com os grupos minoritários que estão preocupados com o teor da campanha", relatou o democrata.

Antecipando um balanço de seu governo, Barack Obama lamentou não ter conseguido fechar a "maldita" prisão instalada na base naval de Guantánamo, em Cuba, mas destacou que reduziu drasticamente o número de detentos.

"É verdade que não consegui fechar essa maldita coisa por causa das restrições. Mas também é verdade que reduzimos enormemente sua população e, agora, temos menos de 100 pessoas lá", lembrou.
 
Por France-Presse 

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