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Líderes mundiais abrem conferência do clima à sombra de Trump

Cerca de 80 líderes mundiais compareceram ao encontro em Marrakech para mostrar seu apoio à luta contra a mudança climática, diante da possibilidade de que os Estados Unidos abandone as negociações

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postado em 15/11/2016 16:20

Os chefes de Estado e ministros de mais de 180 países abrem nesta terça-feira (15/11) em Marrakech a 22ª Conferência da ONU sobre o clima (COP22), à sombra da eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, um cético das mudanças climáticas.

Cerca de 80 líderes mundiais compareceram ao encontro em Marrakech para mostrar seu apoio à luta contra a mudança climática, diante da possibilidade de que os Estados Unidos abandone as negociações, o que acabaria com o frágil consenso.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, quis tranquilizar o mundo pouco antes da abertura da reunião, a primeira desde o histórico Acordo de Paris há um ano, que uniu 196 países.

Ban declarou que estava "otimista" e disse que Trump, que prometeu tirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, "entenderá a urgência das mudanças climáticas".

"Eu tenho certeza que ele tomará uma boa decisão, adequada", acrescentou Ban a repórteres.

O secretário-geral da ONU também elogiou o passado empresarial de Trump e disse que espera que o magnata compreenda que a mudança climática tornou-se uma oportunidade de negócio.
 
 
Além disso, a ONU apelou os países desenvolvidos a aumentar sua ajuda aos países em desenvolvimento para enfrentar as mudanças climáticas. "O mundo prometeu ajudar os países em desenvolvimento a se adaptar às perturbações causadas pelo aquecimento, como a mudança nas precipitações e a elevação do nível do mar". 

"Não temos direito de jogar com a sorte de futuras gerações", pediu Ban.


'Processo que não pode parar'

Os Estados Unidos são o segundo maior emissor de gases do efeito estufa no mundo, atrás apenas da China. Sob a administração de Barack Obama, o país também foi um dos principais incentivadores das negociações climáticas que conduziram ao histórico Acordo de Paris, que entra em vigor em 2020.

Os Estados Unidos devem "respeitar os compromissos" adotados, disse o presidente francês, François Hollande. "Não é somente seu dever, é seu interesse", acrescentou.

A COP22 de Marrakech dá o sinal de partida para definir o calendário e as modalidades de aplicação do acordo de Paris nos próximos três anos, principalmente para que os países acompanhem os avanços mutuamente.

As negociações devem ainda começar a definir a forma como será entregue a ajuda financeira prometida aos países do Sul, mais afetados pelo aquecimento global, para transferir-lhes a tecnologia necessária e para, finalmente, decidir sobre os investimentos em mitigação (combate às mudanças climáticas) e adaptação.

No total, 196 países assinaram o Acordo de Paris, 109 o ratificaram.

Se Trump decidir retirar seu país do Acordo de Paris, como prometeu durante a campanha eleitoral, o tratado continuará em vigor, de acordo com especialistas, uma vez que a maioria dos países emissores (incluindo os EUA) já o ratificaram.

Mas tal medida iria prejudicar, sem dúvida, o processo de negociação. Muitos países poderiam ser tentados a deixar a mesa de discussão, ou atrasar a implementação dos seus compromissos, que não são juridicamente vinculativos.

"Nós temos um objetivo claro e vamos seguir em frente. Este processo, que parecia impensável há um tempo atrás, agora não pode parar", declarou a secretária executiva da Convenção sobre a Mudança Climática da ONU, Patricia Espinosa.

A luta contra o aquecimento global, que em 2016 voltará a bater recordes de temperatura, é essencialmente uma questão de vontade dos governos.

"Enfrentar o desafio das mudanças climáticas é a nossa responsabilidade comum e compartilhada", lembrou o representante especial chinês, Xie Zhenhua, cujo governo assegurou que não abandonará o acordo mesmo se Washington mudar de curso.

Crises mais difíceis de controlar

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) pediu que os países ricos aumentem suas contribuições.

Os países ricos prometeram em 2009 que a partir de 2020 entregarão até 100 bilhões de dólares anuais para lutar contra as mudanças climáticas nos países pobres.

Os países em desenvolvimento e pobres querem que a maioria desse dinheiro, que até o momento só é uma promessa, seja utilizado para adaptar-se as consequências das mudanças climáticas.

Mas a adaptação somente recebeu uma quinta parte dos fundos mobilizados até agora.

Um grupo de 27 militares e especialistas em segurança do mundo todo também publicou outra carta de alerta nesta terça-feira, dirigida aos mandatários da COP22.

"As mudanças climáticas vão fazer com que muitas das crises complexas globais atuais sejam ainda mais difíceis de resolver", alerta a carta do chamado Grupo de Trabalho sobre Segurança Climática.

A COP22 se encerra na sexta-feira, e o país anfitrião e presidente das negociações, Marrocos, negocia com outros participantes a possibilidade de emitir um apelo solene para continuar a luta.
 
Por France-Presse 

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