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Deputado da oposição é libertado após dois anos e meio preso na Venezuela

Rosmit Mantilla foi mantido preso no quartel-general do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional por dois anos e meio. O ex-prisioneiro político disse ao Correio que assumirá compromisso de lutar pela troca de governo

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postado em 19/11/2016 08:00

Voluntad Popular/Divulgação


Durante dois anos e meio, Rosmit Mantilla, deputado do partido opositor Voluntad Popular, foi trancafiado no chamado Helicoide, uma construção de arquitetura arrojada que abriga a sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), em Caracas. Na noite de quinta-feira, ele foi solto, enquanto recebia atendimento de urgência no Instituto Urológico de San Román, com problemas na vesícula e no pâncreas. A libertação foi recebida como um sinal positivo, ainda que tênue, por parte de lideranças da oposição. Por telefone, Rosmit afirmou ao Correio que foi preso por pensar de modo distinto e contou o drama vivido no cárcere. “Não sofri tortura, mas a pressão psicológica era constante. Nos últimos 10 dias, comecei a sentir dores no estômago. Os guardas me disseram que isso ocorria por ‘motivos políticos’. Eles me deixaram o tempo todo sem banho, sem água, impedido de fazer ligações telefônicas.”

O ex-preso político admitiu que acatará a decisão do partido e não participará do diálogo com o governo de Nicolás Maduro. “Nós respeitamos os companheiros da Unidade (Mesa de Unidade Democrática, a coalizão opositora). Até que o regime mostre sinais francos de que acredita realmente em uma solução pacífica e democrática para o nosso país, não nos sentaremos à mesa de negociação”, comentou Rosmit. “Enquanto o governo não emitir nenhuma mostra de boa-fé, não estaremos com eles.”

Questionado se não houve progressos por parte do Palácio de Miraflores em direção a uma saída para a crise, ele foi incisivo: “Não, os outros venezuelanos também estão presos, pois sofrem com a escassez de comida e de medicamentos e a insegurança. Começarei a trabalhar imediatamente pela libertação dos prisioneiros políticos e de todos os venezuelanos. Somos presos de um governo que reprime quem pensa diferente. Meu compromisso, a partir de hoje, é assumir a responsabilidade e trabalhar por uma mudança de governo, pela via constitucional e democrática”.

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