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Emissário da ONU para Síria expressa "indignação" com bombardeios em Aleppo

Staffan de Mistura, que desembarcou neste domingo em Damasco para pedir o fim dos ataques contra civis, se reuniu com o sírio das Relações Exteriores, Walid Muallem

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postado em 20/11/2016 16:24

Aleppo, Síria - O enviado especial da ONU para a Síria advertiu neste domingo que o "tempo está acabando" em Aleppo e expressou a "indignação internacional" com os bombardeios do regime sírio contra as zonas da cidade controladas pelos rebeldes.

Staffan de Mistura, que desembarcou neste domingo em Damasco para pedir o fim dos ataques contra civis, se reuniu com o sírio das Relações Exteriores, Walid Muallem. "O tempo está acabando e estamos correndo contra o tempo", advertiu De Mistura após o encontro com Muallem.

"Até o Natal, com a intensificação das operações militares, veremos um virtual colapso do que resta na zona leste de Aleppo. Podemos ter 200.000 pessoas fugindo para a Turquia, o que seria uma catástrofe humanitária", disse.

O enviado da ONU expressou a "indignação internacional" com os bombardeios do regime de Bashar al-Assad contra o leste de Aleppo, sob controle dos rebeldes. De Mistura também confirmou que o regime sírio rejeitou uma proposta para que os rebeldes administrem de forma autônoma a zona leste de Aleppo.

Muallem rejeitou a ideia do emissário da ONU de uma "administração autônoma" dos rebeldes na cidade. "Afirmamos que rejeitamos completamente", destacou, antes de questionar "como é possível que a ONU pretenda recompensar terroristas", termo utilizado pro Damasco para designar rebeldes e jihadistas.

Em uma entrevista no início da semana ao jornal britânico The Guardian, Mistura sugeriu que o governo sírio reconhecesse a administração estabelecida de fato pelos rebeldes nos bairros do leste de Aleppo, não controlados pelo regime desde 2012.

Em contrapartida, centenas de jihadistas do grupo Fateh al-Sham (ex-braço sírio da Al-Qaeda) deveriam deixar a zona onde vivem mais de 250.000 civis, sitiados há quatro meses, e submetidos a intensos bombardeios por parte do regime. "Nós afirmamos que concordamos sobre a necessidade de que os terroristas saiam do leste de Aleppo (...) ,as que não é possível que 275.000 de nossos cidadãos continuem sendo reféns de 5.000, 6.000, 7.000 homens armados", explicou Mualem. "Nenhum governo no mundo aceitaria isto. As instituições do Estado devem retornar ao leste de Aleppo", completou.

Combates violentos

Os ataques contra a cidade, retomados na terça-feira, mataram 107 pessoas desde então, de acordo com a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), e obrigaram escolas e hospitais a fechar suas portas. Dez pessoas, incluindo oito crianças, morreram neste domingo em disparos rebeldes contra uma escola do ensino fundamental na zona oeste de Aleppo, informou a imprensa estatal. 

As ruas da parte leste da cidade estavam desertas e apenas ambulâncias e equipes de emergência circulavam, em meio à destruição provocada pela guerra. As poucas estruturas com capacidade de oferecer  atendimento médico foram atingidas pelos bombardeios mais recentes. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou o sábado com um "dia negro para o leste de Aleppo".

Os médicos foram obrigados a retirar os pacientes do último hospital pediátrico da cidade e levaram os recém-nascidos para locais mais seguros. Entre os civis mortos na madrugada de domingo estão um casal e seus quatro filhos, vítimas de um barril de explosivos, segundo o OSDH. 

A violência dos bombardeios obrigou os colégios do leste de Aleppo a suspender as aulas no sábado e domingo para preservar "a segurança dos alunos e professores". O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault, criticou a "estratégia de guerra total" da Rússia e do regime sírio, ao mesmo tempo que pediu uma ação internacional para "deter a matança".

Em Bruxelas, o comissário europeu para a Ajuda Humanitária, Christos Stylianides, denunciou as "violações inaceitáveis do direito humanitário internacional, que podem representar crimes de guerra". A Rússia, que atua na Síria há um ano em apoio ao regime, não participa nos bombardeios desta semana contra o leste de Aleppo e concentra seus ataques aéreos na província de Idleb, controlada por uma aliança de rebeldes e jihadistas.

Moscou e Damasco esperam retomar na totalidade a cidade de Aleppo antes da posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, no dia 20 de janeiro.
 
Da France Presse 

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