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Fidel Castro e a Venezuela de Chávez e Maduro

Maduro sofre a perda do artífice do que chegou a ser a relação mais estreita de Cuba na América Latina, em um momento em que enfrenta o mal-estar popular com a grave crise econômica do país petroleiro

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postado em 26/11/2016 16:36 / atualizado em 26/11/2016 16:51

AFP / POOL / ENRIQUE DE LA OSA
 
 
Na festa do seu aniversário de 90 anos, no último 13 de agosto, Fidel Castro apareceu em uma poltrona do teatro Karl Marx com seu irmão Raúl sentado à sua direita. À esquerda, estava o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
 
 
Uma imagem eloquente sobre a forte aliança entre a revolução cubana, com Fidel e Raúl Castro, e a revolução bolivariana, com Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

"Foi como sua despedida", disse neste sábado o presidente venezuelano, ao lembrar que, seguindo o "exemplo" de Chavéz, visitava Fidel a cada dois meses para receber suas orientações.

Maduro, que planejava vê-lo no início de dezembro, segundo o canal Telesur, disse que Fidel partiu rumo à "imortalidade" e destacou a "profunda amizade" entre Fidel e Chávez, seu afilhado político morto em março de 2013 por um câncer.

Ambos "fundaram uma época", afirmou o presidente socialista, ao estabelecer um paralelo entre duas revoluções segundo ele "assediadas pelo império".

"Para falar de Fidel, há que falar de Hugo Chávez" - 28 anos mais novo que o líder cubano -, ressaltou.

Maduro sofre a perda do artífice do que chegou a ser a relação mais estreita de Cuba na América Latina, em um momento em que enfrenta o mal-estar popular com a grave crise econômica do país petroleiro.

O presidente venezuelano, que assumiu o poder um mês após a morte de seu mentor Chávez, nunca deixou de ajudar Cuba, o que seus opositores criticam devido ao contexto de crise.


Oxigênio em barris de petróleo

Com os preços elevados do petróleo durante grande parte dos 14 anos em que governou, Chávez construiu alianças, desafiando a hegemonia dos Estados Unidos, e pôs a Venezuela no coração da geopolítica regional com o que seus críticos chamaram de "petrodiplomacia". 

Com Chávez e Castro à frente, surgiram os blocos Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA) e Petrocaribe, no âmbito dos quais a Venezuela vende petróleo em condições de pagamento preferenciais. 

Quase asfixiada pelo longo período de penúrias em que caiu na década de 1990 após a queda soviética, a ilha recebeu da Venezuela oxigênio na forma de barris de petróleo: entre 100.000 e 120.000 por dia, em seu melhor momento.

Hoje, esse número passou para entre 60.000 e 80.000. A profunda recessão da Venezuela contribuiu para a desaceleração da economia cubana, imersa em uma lenta abertura há uma década. 

"A principal ameaça à estabilidade de Cuba está na frente econômica (...) como resultado do colapso potencial da economia venezuelana", afirmou à AFP o analista Diego Moya-Ocampos, da consultora IHS Markit, com sede em Londres.

Segundo Moya-Ocampos, a "exportação de serviços profissionais (médicos, educadores), majoritariamente para a Venezuela, continua sendo a principal fonte de renda de Cuba, acima do turismo e das remessas".

No entanto, desde os primeiros sintomas da crise venezuelana - que hoje se manifesta em uma severa escassez de alimentos e remédios e na inflação mais alta do mundo -, Raúl Castro, que sucedeu seu irmão há dez anos, começou a diversificar as alianças econômicas.   

Além disso, o turismo disparou após a reconciliação com os Estados Unidos, iniciada no final de 2014, e a ilha regularizou as contas com a maioria dos credores.

Lealdade incondicional

A relação próxima entre Cuba e Venezuela começou a ser construída no aeroporto de José Martí, em Havana, em 13 de dezembro de 1994, quando Fidel foi receber pela primeira vez Chávez, após seu golpe de Estado fracassado em 1992. 

Em uma conferência na Aula Magna da Universidade de La Habana, Chávez relatou que nos dois anos que esteve preso por essa tentativa de golpe, lia declarações de Fidel, como "A história me absolverá".

Cinco anos depois, o líder cubano compareceu à posse do venezuelano. "Fidel é para mim um pai, um companheiro, um mestre da estratégia perfeita", declarou Chávez em 2005.

Desde então, a lealdade foi incondicional. Durante o golpe de Estado de 11 de abril de 2002, que tirou Chávez do poder durante três dias, Fidel Castro teve um papel-chave. 

Após ser informado do ocorrido por uma das filhas de Chávez, Fidel falou por telefone com vários chefes militares que ajudaram a restituir o poder ao líder venezolano.

No pior momento de sua doença, Fidel só recebia a visita de Chávez, que viajava com frequência à Havana e fazia os comunicados sobre a saúde do líder cubano. Mais tarde, o presidente venezuelano continuou frequentando Cuba, mas dessa vez para tratar seu câncer.

Muitas vezes a prova de vida de ambos foi as fotos em que apareciam juntos e que estamparam as primeiras páginas dos jornais do mundo.
 
Por France-Presse 

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