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Correio Braziliense

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Cerimônias em homenagem a Fidel começam hoje e seguem até o domingo

Um clima de recolhimento marcou o primeiro fim de semana dos cubanos após a morte de Fidel Castro. com o país em luto, damas de branco cancelam protesto

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postado em 28/11/2016 09:56

Pedro Pardo/AFP

Nos nove dias de luto pela morte de Fidel Castro, não haverá música, festas, reuniões, espetáculos ou venda de álcool na ilha caribenha. Nem mesmo as partidas de beisebol, a paixão nacional. Cubanos e cubanas, em um silêncio incomum desde sábado, seguirão um roteiro de homenagens ao homem que governou o país por quase meio século. A primeira cerimônia fúnebre está marcada para hoje, na emblemática Praça da Revolução de Havana, cujo acesso começou a ser controlado no sábado. Nascido em uma Cuba sob o comando do então primeiro-ministro, o taxista Manuel Obregón, 43 anos, espera uma multidão. “O desfile de amanhã (hoje) não vai ser grande, vai ser enorme! Ficará para a história”, prevê.

 

A mobilização maciça de pessoas para homenagear o comandante deve se repetir ao longo desta semana. Está marcada uma procissão com as cinzas de Fidel de Havana a Santiago de Cuba, um percurso de 960 quilômetros que deve ser concluído em quatro dias. O enterro está marcado para o próximo domingo, dia 4, na cidade de 500 mil habitantes que, no passado, foi o berço do movimento revolucionário. Apesar da programação definida, até o fechamento desta edição, não havia confirmação oficial de que o corpo de Fidel tinha sido cremado no sábado, como anunciou o irmão mais novo, Raúl Castro.

 

O sigilo sobre a morte do comandante, porém, não comprometeu as primeiras reverências. Centenas de jovens fizeram uma vígila de sábado para domingo na Universidade de Havana — lá, Fidel ingressou no movimento estudantil nos anos de 1940. Um retrato dele cercado por velas acesas foi colocado sobre as escadarias em que fez um de seus últimos discursos para a massa, em setembro de 2010. O então ex-presidente não falava ao público havia quatro anos, quando passou o comando do país para Raúl Castro. Em 45 minutos, bem menos do que os pronunciamentos usuais, falou sobre os riscos de uma guerra nuclear dos EUA e de Israel contra o Irã.

 

Ruas vazias

Controlada pelo governo, a imprensa nacional exibiu, ao longo do fim de semana, reportagens, documentários e debates em homenagem ao “companheiro”. Apesar de ter comandado o país com mãos de ferro, Fidel, que tinha passado o controle para o irmão havia 10 anos, continuava sendo uma figura emblemática, respeitada e odiada na ilha de 11 milhões de habitantes. No primeiro domingo sem ele, a capital viveu um silêncio pouco comum e, segundo moradores, com menos pessoas nas ruas do que o habitual.

 

Até opositores se recolheram. As Damas de Branco, um dos grupos dissidentes mais proeminentes do país, cancelou ontem, pela primeira vez em 13 anos, a marcha semanal de protesto. “Não marcharemos hoje (ontem) para que o governo não tome isso como uma provocação e para que eles possam fazer suas homenagens”, justificou a líder do grupo, Berta Soler. “Nós respeitamos o luto dos outros e não vamos celebrar a morte de qualquer ser humano.”

 

Uma das raras expressões de dissidência toleradas pelo governo, As Damas de Branco se juntaram em apoio aos maridos presos por fazer oposição política aos Castros. O grupo marcha todos os domingos por ruas da capital cubana depois de participar de uma missa católica. Nos últimos meses, integrantes têm denunciado ações para suprimir os manifestantes antes de eles saírem de casa. Ontem, segundo Berta Soler, decidiram evitar tensões com a polícia.

 

Pelas ruas, os críticos ao governo preferiam não comentar a morte de comandante. Os apoiadores, ao contrário, exibiam bandeiras e elogios ao companheiro morto. “Foi um grande líder. Deveriam decretar 30 dias de luto”, disse Andy Lores, açougueiro de um bairro popular de Havana. “Queria que ele vivesse mais 30 anos, mas ninguém pode vencer o destino”, lamentou o pedreiro Guillermo Suárez. 

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