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Urna com restos mortais de Fidel Castro segue por 13 províncias em Cuba

Enterro ocorrerá no domingo, em santiago de cuba

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postado em 30/11/2016 07:49

Rodrigo Craveiro

Pedro Pardo/AFP

Há 57 anos, Fidel Castro e a Coluna nº 1 José Martí saíram de Santiago de Cuba em direção a Havana, onde foram recebidos de modo triunfal. A partir de hoje, o Comandante fará o mesmo caminho, no sentido oposto, até Santiago de Cuba, aos pés da icônica Sierra Maestra. Até o destino, a procissão com as cinzas do líder que implantou o socialismo na ilha vai percorrer 13 das 15 províncias e passar por 11 cidades. O sepultamento das cinzas ocorrerá às 7h de domingo (10h em Brasília), no cemitério de Santa Efigênia. Na segunda-feira, o presidente Raúl Castro e o birô político do Partido Comunista de Cuba (PCC) homenagearam Fidel, diante da urna com as cinzas. O adeus da capital ocorreu a partir das 19h de ontem (22h em Brasília), com uma grande cerimônia na Praça da Revolução. Os principais expoentes da esquerda latino-americana também prestaram tributo ao ditador (leia na página 13).

 

“É uma maneira de despedida que vejo muito bem. Fidel começou a revolução liderando a Caravana da Vitória até Havana, e seu trajeto final até Santiago de Cuba é o culminar de uma fecunda viagem de vitórias de um grande revolucionário”, afirmou ao Correio o intérprete de inglês-espanhol Sergio Alejandro Paneque Díaz, 33 anos, morador de Havana. “É um simbolismo que permitirá que todo o seu povo se despeça dele, e chore a sua perda. E que, quando as cinzas passarem, em silêncio nos comprometamos a seguir seu exemplo, enquanto ele avançar até onde repousa  o seu mestre, o apóstolo José Martí.”

 

Sergio Alejandro contou que foi à Praça da Revolução na segunda-feira e assinou o livro de apoio às ideias de Fidel. “Havia gente de todas as idades, crianças com bandeiras cubanas, jovens e idosos. Vi cegos, pessoas com dificuldades de caminhar, todos ali, dizendo adeus a Fidel”, relatou. De família humilde e camponesa, o engenheiro de software Nelson Medina, 27, disse à reportagem que vê em Fidel um símbolo de justiça e luta pelos direitos do povo. “Ele foi nosso líder por muitos anos, ganhando o apreço de todos os cubanos. Por isso, a grande importância de dar à população a oportunidade de lhe render a homenagem que merece”, comentou. Ele conta que escutou a notícia da morte de Fidel na madrugada de sábado. “Eu não direi que chorei, mas senti um vazio dentro de mim, que não me permitiu conciliar o sono à noite. A primeira coisa que eu falei para a minha família foi: ‘Vamos para a praça, que Fidel morreu’.”

 

Nelson não teme o futuro da Revolução, pois crê que isso dependia não de Fidel, mas dos ensinamentos transmitidos pelo Comandante ao longo dos anos. “Cuba está preparada para enfrentar o futuro, inclusive sem a direção histórica de vanguarda do PCC. Isso se evidenciou por meio da assinatura de compromisso pela manutenção das conquistas e a convicção profunda de seguirmos com o legado do conceito de ‘Revolução’ expresso por nosso líder histórico.”

 

Simbolismo

Professor de ciência política e ética aplicada da Universidade de Havana, Emilio Duharte Díaz considera de “grande simbolismo” o traslado das cinzas. “É a mesma rota, em sentido inverso, daquela tomada pela Caravana da Liberdade do Exército Rebelde, que, em janeiro de 1959, se moveu vitorioso até Havana desde o leste da ilha. É como o regresso do líder à sua origem rebelde e libertária”, explicou. Segundo o especialista, foi exatamente por essa região de Cuba que começaram as duas guerras pela independência contra a Espanha, no século 19, e a luta revolucionária de Fidel, na década de 1950, contra a tirania de Fulgencio Batista. “Depositar as cinzas de Fidel no cemitério de Santiago de Cuba também é simbólico. Nessa mesma necrópole, descansam os restos mortais de Carlos Manuel de Céspedes, o ‘Pai da Pátria’, que iniciou a primeira guerra de independência, em 10 de outubro de 1868. Nesse mesmo local, está enterrado e se ergueu um grandioso monumento a José Martí, que encabeçou a segunda batalha pela independência, em 1895. A decisão por esse traslado tem toda a lógica.” Para ele, trata-se de uma mensagem ao povo cubano de rebeldia e de liberdade eternas.

 

AFP

A primeira imagem da urna

As cinzas de Fidel Castro repousam dentro de uma urna, em sala do Ministério das Forças Armadas Revolucionárias (Minfar), diante de um mural com a imagem do Granma, o iate que levou o Comandante e 80 guerrilheiros do México até a ilha. Imagens divulgadas ontem pela televisão cubana mostravam o presidente cubano, Raúl Castro, e 17 integrantes do Birô Político do Partido Comunista de Cuba perfilados à frente da urna. Raúl também foi visto colocando uma flor em uma espécie de altar montado no local, o qual conta com uma foto de Fidel e uma bandeira do país. O espaço foi montado de modo idêntico ao que a população tem acesso, no Memorial José Martí, na Praça da Revolução. 

 

 

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