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Fuga de sírios se intensifica nos bairros do leste de Aleppo

A "lenta descida ao inferno" do leste de Aleppo, de acordo com um responsável da ONU, será o tema de uma reunião urgente do Conselho de Segurança nesta quarta-feira em Nova York

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postado em 30/11/2016 16:34

Alepo, Síria -A fuga de civis se intensifica nos bairros rebeldes da zona leste de Aleppo, que foram abandonados por mais de 50.000 moradores em quatro dias, enquanto pelo menos 26 pessoas morreram nesta quarta-feira vítimas de ataques das forças do governo.

A "lenta descida ao inferno" do leste de Aleppo, de acordo com um responsável da ONU, será o tema de uma reunião urgente do Conselho de Segurança nesta quarta-feira em Nova York.

Cercados há quatro meses, sem alimentos, remédios e energia elétrica, cada vez mais habitantes do leste de Aleppo fogem dos combates terrestres, do fogo da artilharia e dos incessantes bombardeios aéreos.

Mais de 50.000 pessoas - entre os 250.000 residentes da área - abandonaram suas casas nos últimos quatro dias, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). 

"Os que fogem estão em uma situação desesperada. Muitos perderam tudo e chegam sem qualquer bagagem. É de partir o coração", disse Pawel Krysiek, diretor de comunicação da Cruz Vermelha na Síria. 

"Nossa prioridade é ajudar as pessoas o mais rápido possível", completou. 

No frio, famílias inteiras aguardam no bairro de Khabal Badro antes de subir em um ônibus fornecido pelas autoridades para seguir até os bairros controlados pelo governo, na zona oeste.

Os idosos recebiam ajuda para caminhar ou se deslocavam em cadeiras de rodas improvisadas. Muitos pais levavam seus filhos no colo. 

Entre os 50.000 deslocados, mais de 20.000 buscaram refúgio nos bairros da zona oeste e outros 30.000 seguiram para a área de Sheikh Maqsud, controlada pelas forças curdas, segundo o OSDH. 

Disparos mortais
As forças do governo, que conquistaram um terço do leste de Aleppo desde domingo, avançavam para o sudeste da zona rebelde com a ajuda de combatentes estrangeiros. 

Novos disparos de artilharia mataram pelo menos 26 pessoas nesta quarta-feira, incluindo sete crianças, e deixaram dezenas de feridos no bairro rebelde de Jebb al Qobbeh, segundo o OSDH. 

Muitas vítimas estavam bloqueadas sob os escombros dos prédios que desabaram, afirmou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman. 

Os Capacetes Brancos, o serviço de emergência na zona rebelde, informou que os disparos atingiram um grupo de civis que fugia dos combates.  

Desde o início da ofensiva do governo em 15 de novembro, quase 300 pessoas morreram no leste de Aleppo, de acordo com a organização. Os rebeldes mataram ao menos 48 civis com disparos de foguetes contra os bairros governamentais. 

Reunião na ONU
Em Nova York, os 15 embaixadores do Conselho de Segurança da ONU irão abordar a situação em Aleppo durante uma reunião urgente solicitada pela França, com a participação do mediador da ONU na Síria, Staffan de Mistura, por videoconferência. 

O embaixador britânico na ONU, Matthew Rycroft, afirmou que as Nações Unidas "têm um plano" para socorrer os habitantes do leste de Aleppo e retirar os feridos. De acordo com o diplomata, a oposição aceitou a proposta. 

"Peço à Rússia que faça o possível para que o regime sírio dê seu aval" a este plano, disse. 

O ministro britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson, concordou com a ideia.

"Peço a todos que têm responsabilidade para isso, tanto o governo de (Bashar al) Assad como seus aliados na Rússia, que pensem no que podem fazer para trazer a paz, deter os bombardeios, parar o massacre de civis inocentes e sentar-se à mesa de negociações", declarou após se reunir com seu homólogo do Chipre, em Nicósia.

Moscou, principal aliado de Damasco, denunciou na terça-feira o que chamou de "cegueira" dos ocidentais a respeito de Aleppo e comemorou que as últimas operações permitiram uma "mudança radical da situação" na segunda maior cidade da Síria.

A Coalizão Nacional da oposição síria pediu ao Conselho de Segurança da ONU que "tomasse medidas imediatamente (...) para proteger os civis de Aleppo e frear a bárbara ofensiva planejada contra eles". 

Os analistas consideram que a perda do reduto rebelde em Aleppo representaria uma derrota muito dura para a oposição, que está fragilizada política e militarmente após cinco anos e meio de guerra. 

Por France Presse

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