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Peru: ex-primeira-dama acusada de lavagem de dinheiro volta ao país

Dinheiro vinha de doações do Brasil e da Venezuela para a campanha eleitoral de seu marido, o ex-presidente Ollanta Humala

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postado em 01/12/2016 22:16

A ex-primeira-dama do Peru e funcionária da FAO, Nadine Heredia, voltou nessa quinta-feira (1º/12) para Lima sob mandato judicial no início da investigação por suposta lavagem de dinheiro das doações do Brasil e da Venezuela para a campanha eleitoral de seu marido, o ex-presidente Ollanta Humala.
 
 
"Voltei após disposição do juiz para me apresentar dentro de 10 dias", disse Heredia à imprensa no aeroporto de Lima ao voltar da Europa, para onde viajou em 22 de novembro após ser nomeada diretora do Escritório de Ligação da FAO na ONU, em Genebra (Suíça).

Heredia denunciou pressões políticas do governo e do Congresso para a FAO impedir que assuma sua função em prejuízo de seu direito ao trabalho, e negou que esteja fugindo da justiça.

"Há enorme pressão política no meu caso (...) É incrível a pressão do Peru para que uma peruana não possa trabalhar", afirmou Heredia, que recebeu a ordem de um juiz para retornar antes 5 de dezembro, sob risco de prisão.

O presidente Pedro Pablo Kuczynski negou as alegações da esposa de seu antecessor e disse que "é um processo nas mãos do poder judicial".

Sua volta coincide com um comunicado da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) que diz que Heredia "solicitou, a partir de hoje, uma licença sem remuneração para atender temas pessoais, incluindo a investigação em curso".

A esposa de Humala disse que vai ficar 15 dias no Peru antes de viajar para Genebra para finalmente assumir seu posto.

A defesa de Heredia pediu que o juiz Richard Concepción, encarregado do caso, altere uma ordem de permanência em Lima por uma que transfira esse controle para o consulado peruano em Genebra. A ordem obriga Heredia a comparecer a cada 30 dias a um tribunal em Lima para controle biométrico (impressão digital).

O caso provocou um pleito inédito entre a FAO e o governo peruano, que protestou da decisão do diretor-geral dessa organização, o brasileiro José Graziano da Silva, de nomear Heredia sabendo que ela faz parte de uma investigação que envolve empresas brasileiras envolvidas na 'Lava Jato'.

A ex-primeira-dama enfrenta, junto com seu marido, um processo por suposta lavagem de dinheiro no montante de 1,5 milhão de dólares, supostamente doados para financiar sua campanha para as eleições presidenciais de 2006 e 2011, e que não foram declarados. Ambos negam as acusações.

A tese da Justiça peruana é que o dinheiro ilegal da Venezuela viria do Tesouro público do próprio país durante o governo de Hugo Chávez, e no caso do Brasil sua origem seriam as empresas Odebrecht e OAS.
 
Por France-Presse 

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