Bomba lançada pelos EUA no Afeganistão matou dezenas de combatentes do EI

A bomba aérea de artilharia maciça (MOAB) GBU-43/B, chamada de "mãe de todas as bombas", atingiu na quinta-feira uma rede de túneis e cavernas no distrito de Achin, na província oriental de Nangarhar

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postado em 14/04/2017 10:28 / atualizado em 14/04/2017 10:33

HANDOUT / US AIR FORCE / AFP
 
 
A bomba não-nuclear mais potente dos Estados Unidos, lançada na quinta-feira no leste do Afeganistão, destruiu um reduto do grupo extremista Estado Islâmico (EI) em uma área montanhosa e matou pelo menos 36 de seus combatentes, informou nesta sexta-feira o governo afegão, que descartou vítimas civis.

A bomba aérea de artilharia maciça (MOAB) GBU-43/B, chamada de "mãe de todas as bombas", atingiu na quinta-feira uma rede de túneis e cavernas utilizada pelo EI no distrito de Achin, na província oriental de Nangarhar.
 
Esta é a primeira vez que esta bomba de 9,8 toneladas, de força explosiva comparável a 11 toneladas de TNT, foi usada em combate.

"O bombardeio destruiu redutos estratégicos do Daesh (sigla em árabe do EI) e um complexo de túneis  e matou 36 combatentes" no distrito de Achin, declarou o ministério da Defesa afegão em um comunicado.

Mais cedo, o presidente norte-americano, Donald Trump, comemorou "um novo sucesso".

O palácio presidencial afegão afirmou que medidas foram tomadas para evitar baixas civis.

"Não há razão para pensar" que havia civis no momento da explosão, assegurou o capitão Bill Salvin, porta-voz das forças americanas no Afeganistão.

De acordo com um porta-voz das forças especiais afegãs em Nangarhar, havia apenas uma família no vale Mamand Dara, alvo da bomba.

"Ontem recebemos a ordem para que os transferíssemos a família a vários quilômetros de distância (...) eles estão em segurança", indicou o oficial Ahmad Jawed Salim.

Em razão dos túneis e trincheiras, "era quase impossível avançar na área", explicou, informando que dois dias antes as tropas terrestres afegãs, alvo de uma emboscada, sofreram perdas. "Agora nossas forças podem avançar no vale, e por enquanto não encontramos resistência", afirmou.

- "Laboratório experimental" -
Esse artefato tem formalmente a denominação GBU-43/B, pesa pouco mais de nove toneladas e foi desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisas da Força Aérea americana.

Essa é a mais potente bomba não nuclear jamais usada em combate", disse o porta-voz da Força Aérea, o coronel Pat Ryder.

Inicialmente, era destinada a intimidar o inimigo e limpar grandes áreas.

"Essa explosão foi a mais poderosa eu já vi em toda a minha vida. Enormes colunas de fogo tragaram toda a área", disse à AFP Esmail Shinwari, governador do distrito de Achin.

Uma fonte próxima dos insurgentes afegãos indicou à AFP, sem revelar a sua identidade, que os habitantes da região sentiram o solo tremer "como durante um terremoto", e alguns desmaiaram devido ao poder aéreo.

"As pessoas começaram a deixar a zona por medo de novos bombardeios", acrescentou.

No posto de fronteira de Torkham, entre o Paquistão e o Afeganistão, localizado várias dezenas de quilômetros do ponto de impacto, nenhum movimento incomum foi detectado.

Um porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, condenou em um comunicado o bombardeio dos americanos que "utilizam  o Afeganistão como um laboratório experimental", observando que eliminar Daesh era "o trabalho dos afegãos".

O ataque teve um impacto sobre os mercados. Os pregões asiáticos abriram em queda após as perdas em Wall Street no dia anterior.

Também aumentou os temores dos investidores, já preocupados com a situação na Síria e Coreia do Norte, bem como as eleições presidenciais francesas.

Este bombardeio acontece uma semana após o ataque dos Estados Unidos contra uma base aérea do regime sírio e no mesmo dia que o presidente Donald Trump advertiu que seu país iria "lidar com o problema" norte-coreano.

Militares da Otan estimam que no início de 2016 o EI treinava cerca de 3.000 combatentes no Afeganistão, embora esse número atualmente deva ser menor, entre 600 e 800 homens armados.

Os Estados Unidos deslocaram 8.400 soldados para o Afeganistão, que formam, assessoram e apoiam as forças nacionais em seus combates contra os talibãs e o EI.
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