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Presidente da LafargeHolcim renuncia por atividades na Síria

A LafargeHolcim admitiu erros "significativos" e afirmou que o código de ética da empresa não foi respeitado

Agência France-Presse
postado em 24/04/2017 10:49
Zurique, Suíça - Eric Olsen, conselheiro delegado da gigante suíça do setor de materiais de construção LafargeHolcim, deixará o cargo em 15 de julho, após uma investigação interna sobre os acordos da empresa com grupos armados na Síria para manter em funcionamento uma fábrica no país em guerra.

O Conselho de Administração aceitou o pedido de demissão depois de concluir, após uma investigação interna, que o executivo franco-americano, designado em 2015 para comandar a fusão da francesa Lafarge com a suíça Holcim, "não é responsável nem estava a par" da situação na Síria.
A empresa, objeto de uma investigação preliminar na França, determinou uma investigação interna que concluiu que medidas "inaceitáveis" foram tomadas para permitir a continuidade do funcionamento de uma fábrica na Síria. A LafargeHolcim admitiu erros "significativos" e afirmou que o código de ética da empresa não foi respeitado. "Minha decisão está guiada pela convicção de que ajudará a acalmar as fortes tensões recentes sobre a questão da Síria", disse Olsen,.

A empresa é objeto de vários processos, incluindo um do ministério da Economia da França, mas também de ONGs, relacionados aos acordos de 2013 e 2014 com grupos armados para manter em atividade uma fábrica de cimento em Jalabiya, 150 km ao nordeste de Aleppo. A fábrica, comprada em 2007 pela Lafarge, passou por obras durante três anos e começou a operar em 2010.

Para as obras, a então empresa francesa gastou 680 milhões de dólares, o que era o maior investimento no país fora do setor petroleiro. De acordo com uma reportagem do jornal Le Monde, a Lafarge pagou um intermediário para obter do grupo extremista Estado Islâmico (EI) garantias para seus funcionários nos postos de controle.
O jornal francês também citou uma garantia do EI para permitir o trânsito dos caminhões de abastecimento da fábrica, assim como a intervenção de intermediários e de negociantes para vender à unidade petróleo refinado pelo EI. O grupo extremista terminou assumindo o controle da fábrica em setembro de 2014.

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