Macron promete agenda ousada de reestruturação política e econômica

Com o desafio de superar desemprego, ameaças terroristas e forte divisão interna, Emmanuel Macron toma posse hoje

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postado em 15/05/2017 11:15

AFP / POOL / CHARLES PLATIAU


O mais jovem presidente da França, Emmanuel Macron, tomou posse no Palácio do Eliseu, prometendo “devolver a confiança” a um país dividido, com índice de desemprego de 10% e ainda sob estado de emergência, devido às ameaças terroristas. Agradecendo o voto dos franceses, o ex-banqueiro, que jamais havia se submetido ao veredito das urnas, disse que seus compatriotas elegeram “a esperança e o espírito de conquista”. No discurso, ele prometeu reformar não apenas o país, mas a União Europeia. “A Europa que precisamos será reformada e relançada”, disse. Aos 39 anos, ele quebrou o recorde de Napoleão III, que assumiu a primeira Presidência da Segunda República Francesa em 1848, com 40 anos.


O europeísta fervoroso quer impulsionar uma cooperação mais estreita com a Alemanha, a maior economia da zona do euro, para ajudar o bloco a superar a iminente saída do Reino Unido, outro de seus integrantes mais poderosos. Ele promete recuperar a economia e a confiança política em seu país para que a França exerça esse papel. “A França só é forte se é próspera. A França só é um modelo para o mundo quando é exemplar”, afirmou.

Assim como fez seu antecessor em 2012, o socialista François Hollande, ele elegeu a Alemanha como primeira viagem oficial ao exterior. Hoje à tarde, Macron se encontra com a chanceler Angela Merkel, com quem deve discutir os planos de reestruturação europeia. “Precisamos de uma Europa mais eficaz, mais democrática, mais política, pois é o instrumento de nossa força e de nossa soberania”, disse o presidente, diante de centenas de convidados reunidos no salão de festas do Eliseu. O presidente da Comissão Europeia, o luxemburguês Jean-Claude Juncker, escreveu em sua conta no Twitter: “Uma nova página se abre para a #França, um novo impulso para a Europa”. Merkel aplaudiu a vitória de Macron contra Marine Le Pen, dizendo que ele “levava esperança a milhões de franceses e também a muitos na Alemanha e de toda a Europa”.

Para conseguir colocar em prática a ambiciosa agenda reformista em seu próprio país, porém, o novo chefe de Estado ainda precisa enfrentar as urnas nas difíceis eleições legislativas de junho, nas quais seu movimento político, A República em marcha, buscará a maioria absoluta. Da lista de 428 candidatos apresentados, mais da metade são rostos novos. O papel de costura política caberá ao novo chefe de governo, que deve ser anunciado hoje. Emmanuel Macron guardou segredo, mas o nome mais cogitado é o de Edouard Philippe, um representante da direita moderada próximo ao ex-primeiro-ministro conservador Alain Juppé.

Cerimônia

A cerimônia de posse, bastante protocolar, teve início na manhã de ontem. Com a mulher, Brigitte Macron, 64 anos, que vestia um conjunto azul da grife francesa Louis Vuitton, de um tom muito similar ao utilizado por Melania Trump na investidura do americano Donald Trump, o presidente foi recebido com 21 salvas de canhão no Palácio dos Inválidos. De lá, seguiu, sob uma chuva fina, à Champs Élysées.

Na famosa avenida, que foi alvo de um ataque terrorista no mês passado, Macron desfilou em um veículo militar descoberto até o Arco do Triunfo, onde depositou flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, na presença de chefes militares. Cerca de 1,5 mil policiais foram mobilizados, e as ruas próximas estavam bloqueadas. Depois, o presidente visitou os soldados franceses feridos nas operações. À tarde, o presidente se dirigiu ao Hôtel de Ville de Paris, a prefeitura, que é considerada uma parada tradicional para todos os líderes franceses que saúdam a cidade anfitriã.

Ontem, o ex-presidente François Hollande, 62, disse que deixa a França “em um estado muito melhor do que o que encontrei”, referindo-se ao antecessor, Nicolás Sarkozy. O mandato de Hollande, marcado por uma impopularidade recorde, termina com um país profundamente dividido, com grandes desafios pela frente, como a luta contra o desemprego e o terrorismo. Diferentemente do conservador Sarkozy, o socialista não anunciou sua retirada da vida política.


"A Europa que precisamos será reformada e relançada”

"Os franceses elegeram a esperança e o espírito de conquista”

"A França só é um modelo para o mundo quando é exemplar”


Emmanuel Macron,presidente da França
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