Donald Trump é acusado de pedir fim de investigação do FBI

No início da manhã, Trump afirmou no Twitter que, como presidente, tinha o direito absoluto de compartilhar fatos com a Rússia

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postado em 17/05/2017 00:46

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao então chefe do FBI, James Comey, demitido na semana passada, que "abandonasse" uma investigação sobre seu ex-assessor de segurança nacional Michael Flynn, revela The New York Times nesta terça-feira.
 

Este pedido do presidente, que consta de um memorando confidencial de Comey citado pelo jornal, representa uma interferência direta em uma investigação em curso e possível obstrução à Justiça.

Michael Flynn "é um bom sujeito, espero que possa abandonar" esta investigação, teria dito Trump a Comey durante uma conversa no Salão Oval da Casa Branca, no dia 14 de fevereiro, destaca The York Times.

"Espero que possa haver uma forma de deixar passar isto, de livrar Flynn", pediu Trump, segundo o documento.

Flynn foi obrigado a se demitir no dia 13 de fevereiro por omitir os repetidos contatos que manteve com o embaixador russo em Washington no ano passado, durante os quais abordou as sanções americanas a Moscou.

O ex-assessor de segurança nacional também é objeto de uma investigação do Pentágono sobre valores recebidos de empresas ligadas ao governo russo.

Segundo The New York Times, Comey adquiriu o hábito de redigir memorandos sobre as conversas com Donald Trump diante das "tentativas impróprias do presidente de influenciar em uma investigação em curso".

A Casa Branca reagiu afirmando que "o presidente jamais pediu a Comey ou a qualquer outra pessoa que encerrasse uma investigação, inclusive sobre o general Flynn".

As anotações de um agente do FBI são geralmente consideradas pela Justiça como provas de que uma determinada conversa aconteceu efetivamente.

O líder da oposição democrata no Senado, Chuck Schumer, se disse chocado com as últimas revelações. "É um teste sem precedentes para o país. Digo aos meus colegas no Senado: a história está nos olhando".

O republicano Richard Burr, presidente do Comitê de Inteligência do Senado, foi mais prudente e disse que precisará de "mais fontes anônimas" para convencê-lo das acusações.

Antes das revelações do NYT, a Casa Branca havia tentado, nesta terça-feira, afastar a ideia de que Trump comprometeu a segurança dos Estados Unidos dando informações secretas ao chefe da diplomacia russa, Sergue Lavrov, durante uma reunião na semana passada.

De acordo com denúncias da imprensa, na reunião com Lavrov o presidente mencionou que o grupo radical Estado Islâmico planejava ataques contra os Estados Unidos utilizando computadores portáteis em voos.

Segundo membros de alto escalão do governo citados pela imprensa, esta informação foi fornecida aos Estados Unidos por um aliado com a condição de não repassá-la a ninguém, nem mesmo a outros países aliados, para não expor a fonte dos dados.

Fontes concordantes afirmam que a informação foi passada aos Estados Unidos por Israel, sob a condição de segredo total, incluindo países aliados, para não expor a fonte.

No início da manhã, Trump afirmou no Twitter que, como presidente, tinha o direito absoluto de compartilhar fatos com a Rússia.

"Como presidente, quis compartilhar com a Rússia (em um evento aberto da Casa Branca), como é meu direito absoluto, fatos sobre terrorismo e segurança aeronáutica".

Além disso, queria que "a Rússia aumentasse de forma importante sua participação na luta contra o EI e o terrorismo", acrescentou Trump.
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