Trump nega ter tentado influenciar investigação do FBI

Presidente disse que as investigações sobre o suposto conluio entre sua campanha presidencial e a Rússia não passam de uma caça às bruxas

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postado em 18/05/2017 22:23 / atualizado em 18/05/2017 22:28

AFP / JIM WATSON

 
O presidente americano, Donald Trump, negou nesta quinta-feira (18/5) ter tentado convencer o FBI a deixar de lado uma investigação sobre seu ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn por suas conexões com a Rússia.
 
 
Pressionado por uma crise política que ameaça paralisar seu governo, com menos de seis meses de mandato, o presidente disse que as investigações sobre o suposto conluio entre sua campanha presidencial e a Rússia não passam de uma caça às bruxas.

Ao ser consultado durante coletiva de imprensa na Casa Branca sobre se, em algum momento, pressionou o então diretor do FBI, James Comey, Trump respondeu secamente: "Não. Próxima pergunta".

A avalanche de denúncias sobre o pedido de Trump a Comey para que a Polícia Federal americana "se esquecesse" de Flynn foi a gota d'água, levando o Departamento de Justiça a nomear um procurador especial para investigar todo escândalo.

O escolhido para a tarefa foi o advogado Robert Mueller, diretor do FBI de 2001 a 2013 depois dos atentados cometidos no 11 de Setembro em Nova York e em Washington.

Hoje, Trump disse que "respeita" a decisão do Departamento de Justiça, mas ressaltou que o gesto contribui para "dividir" o país.


Caça às bruxas

"Eu respeito a medida, mas tudo é uma caça às bruxas, e não houve conluio entre mim ou meu comitê de campanha e a Rússia. Zero. Acho que é uma decisão que divide o país", disse Trump, durante uma entrevista coletiva conjunta com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.

Para Trump, a ideia de que, nos últimos meses, tenha cometido qualquer ato passível de uma investigação criminal é "totalmente ridícula".

"Espero, francamente, poder deixar isso para trás", completou.

As suspeitas de uma cumplicidade entre seu comitê eleitoral e a Rússia para vencer as eleições surgiram durante a campanha e, a cada dia, a Casa Branca se complica mais profundamente em suas explicações.

A denúncia sobre a alegada sugestão a Comey constitui, claramente, uma tentativa de obstrução da Justiça. A gravidade desse cenário motivou a nomeação de um procurador especial para acompanhar o caso.

Mueller - um ex-funcionário cuja integridade não é posta em dúvida por ninguém em Washington - foi designado procurador especial pelo procurador-geral adjunto, Rod Rosenstein.

O superior de Rosenstein, o procurador-geral Jeff Sessions, já havia decidido se recusar a participar de qualquer investigação sobre o caso, devido a seus muitos contatos com funcionários russos durante a campanha eleitoral do ano passado.


Rosenstein no Senado

Rosenstein foi quem escreveu o memorando interno demolidor (endossado por Sessions e repassado para a Casa Branca), sugerindo a demissão de Comey.

Nesta quinta-feira, Rosenstein se reuniu a portas fechadas com vários senadores, ávidos por saber - em primeira mão - detalhes de todo o escândalo.

No entanto, os senadores que falaram com a imprensa depois deste encontro disseram que Rosenstein se negou a responder perguntas específicas, alegando que o caso já estava nas mãos de Mueller.

Diversos legisladores destacaram a saída da conversa, quando Rosenstein sugeriu que a investigação conduzida por Mueller será de caráter criminal.

Como duas comissões do Congresso (uma em cada Casa) também acompanham o caso, o caráter criminoso das investigações no Departamento de Justiça limitaria a capacidade dos congressistas de obter declarações de testemunhas-chave.

Ontem, o presidente da Câmara de Representantes, republicano Paul Ryan, afirmou que o Congresso deve continuar desempenhando suas funções. A crise política - disse Ryan - "não deve fazer que deixemos de realizar nosso trabalho".
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