Donald Trump cobra seus aliados na cúpula da Otan

"Vinte e três dos 28 Estados-membros ainda não pagam o que deveriam pagar", afirmou Trump

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postado em 26/05/2017 07:46 / atualizado em 26/05/2017 08:40

Melanie Wenger/POOL/AFP

Bruxelas, Bélgica - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta quinta-feira aos seus aliados da Otan que paguem o que devem, sem reafirmar publicamente o compromisso dos Estados Unidos com a defesa da Europa.

"Vinte e três dos 28 Estados-membros ainda não pagam o que deveriam pagar" e "isso é injusto para o povo e os contribuintes dos Estados Unidos", disse Trump em um discurso, que seu chefe da diplomacia, Rex Tillerson, havia antecipado que seria "muito duro".
 
 
A cenografia, as declarações, tudo estava pensado para que o mandatário americano, que no passado classificou a Otan de "obsoleta" e chegou a questionar o apoio a seus aliados em caso de ataque, se não aumentarem seu gasto militar, reafirmou seu compromisso com a defesa mútua transatlântica.

Diante de um memorial sobre o atentado do 11 de setembro de 2001, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, lembrou, logo antes das palavras de Trump, que os Estados Unidos se tornaram após esse ataque o primeiro aliado a invocar o artigo 5 do Tratado de Washington que menciona a mútua defesa.



O presidente americano preferiu, contudo, manter a pressão, pedindo a seus aliados que invistam pelo menos 2% de seu PIB nacional em defesa e marcando suas prioridades para "a Otan do futuro": fazer mais contra o terrorismo, em relação à imigração e diante "das ameaças da Rússia".

Para o investigador de Brooking's Institution, Thomas Wright, "isto constitui um grande impacto para os membros da Otan", pois, em quase 70 anos de história, Trump foi o primeiro inquilino da Casa Branca a se recusar a explicitar esse compromisso, informou no Twitter. 

Mensagens 'claras'

Stoltenberg considerou, ao fim da cúpula, que o líder da primeira potência militar mundial foi "claro em seu compromisso com a Otan", mas também "foi claro na mensagem a todos os aliados" sobre o aumento do gasto militar. Este é uma tradicional reclamação da administração americana. Em 2014, o então presidente Barack Obama conseguiu que os aliados se comprometessem a aumentar seu gasto militar nacional para 2% do PIB em um prazo de uma década.

Junto com os Estados Unidos, apenas Grécia, Estônia, Reino Unido e Polônia cumprem esse compromisso, mas outros países, como Espanha (a segunda pela fila com 0,9% de gasto em defesa), pedem que outros critérios sejam considerados no cálculo. O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, defendeu a que seu país "tem uma participação importante em missões militares" da Otan e da ONU.

Em uma clara aproximação com as posições de Trump, os aliados concordaram na véspera em somar a Otan à coalizão internacional que luta contra os extremistas do grupo Estado Islâmico no Iraque e na Síria, uma decisão sobre a qual países como França e Itália se mostraram reticentes.

Celebrada sob um resplandecente céu azul em um dia quente de primavera, essa cúpula, pensada para inaugurar o novo quartel general da Aliança, será lembrada pelos apertos de mão de Trump e seu leve empurrão em Dusko Markovic, primeiro-ministro de Montenegro que se tornará país aliado no dia 5 de junho.


'Atentado selvagem'

Sua passagem por Bruxelas, em sua primeira grande viagem internacional, também lhe serviu para conversar com a primeira-ministra britânica, Theresa May, chateada com Washington pelos vazamentos na imprensa americana sobre informações da investigação do atentado em um show de pop em Manchester que matou 22 pessoas.

A chefe de governo britânico disse a Trump que a informação compartilhada entre ambas as nações "deve permanecer confidencial", segundo seu porta-voz. Trump, que durante seu discurso pediu "um minuto de silêncio" pelas vítimas do "atentado selvagem", pediu ao departamento de Justiça e "a outras agências relevantes" uma "completa investigação sobre esses supostos vazamentos de agências de inteligência americanas.

O presidente dos Estados Unidos, visto como próximo a seu homólogo russo Vladimir Putin, já estava no olho do furacão, depois de ter revelado supostamente informações confidenciais ao ministro russo Serguei Lavrov. A Rússia foi concretamente um dos pontos de desacordo entre Trump e os líderes das instituições da União Europeia, com quem se reuniu durante a manhã, junto com as questões relativas ao comércio internacional e à mudança climática. 

"Não estou 100% certo de que podemos dizer hoje que temos uma posição comum, uma opinião comem sobre a Rússia", reconheceu o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ao fim da reunião. Após sua passagem pela Arábia Saudita, Israel, Vaticano e Bruxelas, a viagem de Trump terminará na sexta-feira e no sábado na cidade italiana de Taormina (sul), onde assistirá à cúpula do G7, grupo dos sete países mais industrializados do mundo.
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