Grécia inquieta com a resiliência do extremismo local

Nesta sexta-feira, Papademos, que também foi vice-presidente do Banco Central Europeu, permanecia hospitalizado de maneira preventiva por "queimaduras no rosto e no torso", informou a fonte

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postado em 26/05/2017 09:30

Atenas, Grécia - A polícia da Grécia estava inquieta nesta sexta-feira com a resiliência do extremismo local, um dia depois do atentado com carta-bomba que feriu levemente o ex-primeiro-ministro Lucas Papademos. As forças de segurança tentam compreender como a carta-bomba que feriu Papademos, ex-premier e ex-presidente do Banco Central da Grécia, passou pelo controle de segurança, com indício de um ataque de um grupo anarquista.


A investigação, liderada pela unidade antiterrorista grega, se concentra em descobrir o que a carta continha exatamente, explosivo ou pólvora para fogos, "e se os procedimentos de segurança foram respeitados", disse à AFP uma fonte policial. Papademos ficou ferido na quinta-feira na explosão da carta quando estava em um carro em uma rua movimentada do centro de Atenas.

Nesta sexta-feira, Papademos, que também foi vice-presidente do Banco Central Europeu, permanecia hospitalizado de maneira preventiva por "queimaduras no rosto e no torso", informou a fonte. A correspondência de Papademos, assim como a das demais autoridades políticas e econômicos, deve ser controlada pelo serviço de segurança, ainda mais depois que ataques similares foram atribuídos ao movimento extremista anarquista local contra dirigentes que são apontados como o símbolo da política de austeridade imposta ao país há sete anos.

Sem uma reivindicação até o momento, a polícia teme outros envios de cartas-bomba e reforçou os controles de correspondência. Papademos, 69 anos, comandou o governo de coalizão formado entre 2011 e 2012, no maior momento de resistência do país à austeridade imposta pela União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), depois de ter liderado a adoção do euro pela Grécia à frente do Banco Central, instituição que presidiu entre 1994 e 2002.

Dois seguranças ficaram levemente feridos na explosão. O atentado tem semelhanças com o envio, em março pelo grupo anarquista grego Conspiração das Células de Fogo, de uma carta-bomba que feriu uma secretária no escritório do FMI em Paris. O ataque contra Papademos "se parece" com estas ações, mas a polícia não descarta nenhuma pista, segundo uma fonte.

Antes, a organização havia reivindicado a elaboração de um explosivo que a polícia interceptou no escritório do ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaüble. Oito envios adicionais, direcionados ao comissário europeu de Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, ou ao presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças holandês, Jeroen Dijsselbloem, foram interceptados até o momento em uma agência postal de Atenas.

O grupo, que Washington considera como uma organização terrorista, enviou cartas-bomba a embaixadas estrangeiras na Grécia e a líderes europeus em 2010. A Conspiração das Células de Fogo pertence a um movimento anarquista ativo na Grécia e denuncia o capitalismo, o consumismo e o que considera a repressão policial e a exploração dos trabalhadores.
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