Londres investiga porque ameaça do terrorista de Manchester foi ignorada

A ministra do Interior, Amber Rudd, defendeu os serviços de inteligência ao afirmar que "desde 2013 desbarataram 18 planos separados" de ataques, em uma entrevista à BBC

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postado em 29/05/2017 08:02 / atualizado em 29/05/2017 09:51

Jon Super/AFP

Manchester, Reino Unido - O atentado de Manchester completa uma semana nesta segunda-feira com uma nova detenção e a revelação de que o serviço de inteligência britânico investigará porque as advertências sobre o perigo representado pelo autor do ataque, Salman Abedi, foram ignoradas.

A polícia anunciou uma nova detenção no âmbito da investigação sobre o atentado de Manchester, o que eleva a 14 o número de detidos. Um homem de 23 anos foi detido em Shoreham-by-Sea, no condado de Sussex (sul da Inglaterra), informa um comunicado.

Ao mesmo tempo, a polícia realizou nesta segunda-feira uma operação de busca em uma residência de Whalley Range, bairro da zona sul de Manchester. Na segunda-feira passada, Salman Abedi, um britânico de origem líbia, detonou uma carga explosiva na casa de espetáculos Manchester Arena ao fim do show da cantora americana Ariana Grande. O atentado deixou 22 mortos e 116 feridos.

A BBC e o jornal The Guardian revelaram que o MI5, agência responsável pela espionagem doméstica, abriu uma investigação para entender porque nada foi feito a respeito de Abedi ante as repetidas advertências de que estava fora de controle e era perigoso, formuladas por professores e líderes religiosos da comunidade muçulmana de Manchester.

A ministra do Interior, Amber Rudd, defendeu os serviços de inteligência ao afirmar que "desde 2013 desbarataram 18 planos separados" de ataques, em uma entrevista à BBC. Ao mesmo tempo, ela admitiu que serão apresentadas demandas para "examinar se há coisas que poderiam ter sido aprendidas". "Não temos medo de aprender lições para melhorar", completou Rudd.

Segurança: principal tema da campanha

Em plena campanha para as eleições de 8 de junho, Rudd teve que se defender da acusação de que não usou o poder para impedir a entrada no país dos extremistas britânicos que retornam ao país depois de lutar na Síria ou Iraque. De acordo com a imprensa, a prerrogativa teria sido utilizada apenas uma vez.

O atentado, que deixou 22 mortos e 116 geridos, foi o mais violento no Reino Unido desde os ataques contra os transportes públicos de Londres em 2005, que provocaram 56 mortes. O atentado foi reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).

No total, 1.000 agentes trabalham na análise de 800 provas (incluindo 205 documentos digitais) e nas operações de busca em 18 residências. Até o momento foram assistidas quase 13.000 horas de filmagens de câmeras de segurança. A polícia divulgou no sábado duas fotos de Abedi um pouco antes de executar o atentado. Ele aparece de boné, óculos e uma mochila. As autoridades fizeram um apelo para que testemunhas compareçam às delegacias. 

A investigação não foi concluída, mas a detenção dos elementos mais perigosos da célula que cometeu o atentado motivou o governo a reduzir o nível de alerta terrorista, do grau máximo para o segundo mais perigoso. A medida significa que um atentado é "muito provável", mas não é mais iminente. 

O atentado, como demonstra a entrevista de Rudd, transformou a segurança no principal tema da campanha eleitoral. Nesta segunda-feira, a primeira-ministra Theresa May - que se recusa a participar em debates eleitorais - e o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, responderão de modo separado as perguntas do público em um programa de televisão e serão entrevistados pelo jornalista Jeremy Paxman.
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