Palestinos se reúnem em Jerusalém para a primeira sexta-feira do Ramadã

No início da manhã, homens e mulheres, separados, chegavam de modo ininterrupto ao posto de controle israelense fortificado de Qalandia, principal ponto de passagem par os palestinos entre a Cisjordânia ocupada e Jerusalém

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postado em 02/06/2017 09:08 / atualizado em 02/06/2017 11:35

Ahmad Gharabli/AFP

 
Jerusalém - Dezenas de milhares de muçulmanos palestinos foram até Jerusalém sob uma extrema proteção policial para participar da primeira grande oração de sexta-feira do Ramadã, o mês sagrado de jejum e oração, na ultrassensível Esplanada das Mesquitas. 

Cerca de 250 mil fiéis participaram da primeira grande oração semanal desde que começou o mês do jejum no sábado passado, indicou a fundação islâmica que administra o terceiro local santo do Islã. A polícia israelense falou em 100 mil participantes e não informou sobre incidentes.

A polícia de Israel, armada, estava a postos nas entradas da Cidade Antiga e na Esplanada das Mesquitas, constatou a AFP no local. Os oficiais adiantaram que mobilizariam agentes devido aos milhares de fiéis que eram esperados para a oração. O local era sobrevoado por helicópteros enquanto a maioria das ruas que levam à Cidade Antiga estava fechada para o tráfego.

A Cidade Antiga foi transformada em "campo militar", disse Ibrahim, de 62 anos, mas isso não muda a sua "alegria já que só podemos entrar em Jerusalém quatro vezes ao ano, nas sextas do Ramadã".

Sagrada para judeus e muçulmanos
Esta oração é feita alguns dias antes do 50º aniversário da Guerra dos Seis Dias, ou Guerra de Junho de 1967 para os árabes, e da tomada da parte leste de Jerusalém, onde está a Cidade Antiga e a Esplanada das Mesquitas.

Israel anexou a parte oriental de Jerusalém, o que nunca foi reconhecido pela comunidade internacional, que a considera um território ocupado. Os palestinos querem fazer de Jerusalém leste a capital do Estado que aspiram.

A esplanada, símbolo nacional e religioso intangível para os palestinos, fica no centro do conflito israelense-palestino, e catalisa de maneira crônica as tensões. Todos os seus acessos estão controlados pelas forças israelenses. Mas a esplanada em si permanece sob a custódia dos guardas jordanianos por razões históricas.

O local é muito sensível já que também é venerado pelos judeus, que o chamam Monte do Templo. Eles têm o direito de visitar, mas não de rezar.

As autoridades israelenses flexibilizaram as restrições de acesso ao local pelo Ramadã. Os homens de mais de 40 anos e todas as mulheres vindas da Cisjordânia foram autorizados a entrar sem a necessidade de uma permissão, disse a polícia israelense. Em tempos normais, os palestinos da Cisjordânia têm a entrada proibida em Jerusalém e em Israel sem uma autorização.

"Obrigação religiosa"
A Cisjordânia também está ocupada pelo exército israelense desde 1967 e Israel controla todos os acessos. As autoridades do país também autorizaram a visita de 100 homens e mulheres de mais de 55 anos vindos da Faixa de Gaza, de onde os cidadãos tem que passar por Israel para chegar a Jerusalém.

A Faixa de Gaza, governada pelo movimento islamita Hamas, inimigo de Israel, está submetida a um bloqueio israelense e as autorizações de saída são raras e aleatórias. Logo pela manhã, grupos de homens e mulheres, separados, chegavam ao postos de controle israelenses fortificados de Qalandia, principal local de passagem para os palestinos entre a Cisjordânia ocupada e Jerusalém, para ir à Esplanada das Mesquitas, alguns quilômetros mais ao sul.

Kefaya Shrideh, de 40 anos, de Nablus, destacou a importância desta primeira sexta-feira de oração do Ramadã em Jerusalém. "É importante que nós rezemos em Al-Aqsa e não a abandonemos já que temos medo que os judeus a tomem", expressando a inquietação que predomina entre os muçulmanos palestinos que temem que Israel acabe controlando completamente a Esplanada das Mesquitas, chamada Al-Aqsa.

"É um dever e uma obrigação religiosa rezar em Al-Aqsa sejam quais forem as dificuldades e os obstáculos", insistiu Abdeljawad Najjar, de 61 anos, também de Nablus, falando das restrições de acesso impostas por Israel.
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