Protesto em Cabul deixa quatro mortos após atentado que matou 90

A tensão era nítida na capital, onde policiais atiraram para dispersar os manifestantes que tentavam chegar ao palácio presidencial de Cabul

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postado em 02/06/2017 14:43

Quatro pessoas morreram nesta sexta-feira em confrontos entre as forças de segurança e uma multidão enfurecida, que pedia a renúncia do governo afegão, depois do atentado de quarta-feira (31/5) que deixou pelo menos 90 mortos em Cabul.



A tensão era nítida na capital, onde policiais atiraram para dispersar os manifestantes que tentavam chegar ao palácio presidencial de Cabul.

"Nas manifestações de hoje, quatro pessoas morreram e oito ficaram feridas", disse à AFP o porta-voz do Ministério da Saúde afegão, Waheed Majrooh.

O descontentamento cresce no Afeganistão desde o atentado com um caminhão-bomba, que também deixou centenas de feridos no bairro diplomático e muito protegido da capital afegã. Foi o atentado mais grave em Cabul desde 2001.

Muitos afegãos se perguntam como os serviços de Inteligência não puderam impedir que o caminhão-bomba entrasse em um bairro com tanto controle e vigiado por seguranças.

Os manifestantes, alguns deles com pedras nas mãos, se juntaram perto do local da explosão e gritaram frases contra o governo e "morte aos talibãs!".

 

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A Polícia respondeu atirando, com bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água quando vários manifestantes tentaram cruzar um cordão de segurança.

"Carnificina"


"Nossos irmãos e irmãs morreram no sangrento ataque de quarta-feira e nossos dirigentes não fazem nada para pôr um fim a esta carnificina", acusou Rahila Jafari, uma militante da sociedade civil.

"Queremos Justiça, queremos que os autores do ataque sejam enforcados", acrescentou a mulher.

Outro manifestante, furioso, assegurou que os protestos continuarão até a renúncia do presidente Ashraf Ghani e do chefe de governo Abdullah Abdullah.

"Diariamente os terroristas matam civis inocentes. Se nossos dirigentes não podem garantir a nossa segurança, devem renunciar", disse.

Os serviços de Inteligência afegãos acusaram o Haqqani, um grupo armado vinculado aos talibãs e responsável por inúmeros ataques contra as forças estrangeiras e locais no país, de cometer o atentado que ainda não foi reivindicado.

Os talibãs, que atualmente realizam a sua tradicional "ofensiva da primavera", negaram qualquer envolvimento no ataque.

O presidente Ghani poderia ordenar prontamente a execução de 11 prisioneiros talibãs que pertencem à rede Haqqani.

Os talibãs ameaçaram responder com "intensos e exemplares ataques", incluindo a morte de reféns estrangeiros que estão sob o seu poder, no caso de o governo executar estes 11 prisioneiros, segundo um comunicado em seu site.

A Universidade americana de Cabul, da qual foram sequestrados em agosto dois professores - um americano e um australiano -, pediu na sexta-feira a sua "libertação imediata e incondicional".

Os talibãs também têm detidos desde 2012 o canadense Joshua Boyle e sua esposa, a americana Caitlan Coleman, assim como os seus dois filhos, nascidos em cativeiro.

Várias pessoas continuam desaparecidas depois do atentado de quarta-feira. As autoridades de Saúde afegãs advertiram que inúmeros corpos podem não ser identificados.

Um bairro protegido


O bairro diplomático onde aconteceu o atentado abriga o palácio presidencial e as embaixadas, e é supostamente um dos mais protegidos do país.

Dez edifícios diplomáticos foram danificados e mais de 20 funcionários figuram entre os mortos ou feridos.

Esse atentado, ocorrido em um contexto de grave deterioração da situação no Afeganistão, foi condenado em todo o mundo.
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