Chefe do Pentágono busca equilíbrio com elogios e críticas a Pequim

O presidente americano, Donald Trump, que durante a campanha criticou duramente a China, se voltou para Pequim em busca de ajuda para conter o programa militar de Pyongyang

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postado em 03/06/2017 09:43

Singapura, Cingapura - O chefe do Pentágono, Jim Mattis, afirmou neste sábado que o programa nuclear da Coreia do Norte representa uma ameaça global, durante uma reunião de cúpula de Defesa em Cingapura, durante a qual também criticou "a militarização" de Pequim em zona do Mar da China Meridional.

O presidente americano, Donald Trump, que durante a campanha criticou duramente a China, se voltou para Pequim em busca de ajuda para conter o programa militar de Pyongyang, uma mudança que preocupa os aliados asiáticos, pelo temor de que Washington suavize a postura a respeito do Mar da China Meridional.  

Os países asiáticos, aliados há muito tempo dos Estados Unidos, se preocupam com a possibilidade de Trump modificar as alianças e interpretam o abandono americano do Acordo de Associação Transpacífico (TPP) e do Acordo de Paris sobre o clima como sinais de uma guinada de Washington.

Mattis tentou dissipar os temores. "No âmbito da segurança temos um profundo e duradouro compromisso para reforçar a ordem internacional, produto dos esforços de tantas nações para gerar estabilidade", disse Mattis em discurso durante uma cúpula da defesa em Cingapura. "As ações do regime (norte-coreano) são claramente ilegais, segundo o Direito Internacional", insistiu.

Na segunda-feira, a Coreia do Norte executou um novo lançamento de míssil balístico, em seus esforços para desenvolver um foguete intercontinental dotado de uma ogiva nuclear capaz de alcançar o território dos Estados Unidos. "Por esse motivo, é imperativo que cada um faça sua parte para apoiar nossas metas comuns de uma desnuclearização da Península da Coreia", disse o chefe do Pentágono.

Cooperação com a China
Donald Trump procurou Pequim em busca de ajuda para frear o programa militar de Pyongyang. "A administração Trump está satisfeita com o renovado compromisso da China de trabalhar com a comunidade internacional para obter a desnuclearização na Coreia do Norte", disse Mattis.

Na sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade sanções contra o chefe da espionagem, Cho Il-U, outros 13 funcionários de alto escalão e quatro empresas norte-coreanas, congelando seus ativos e proibindo viagens ao exterior. A resolução redigida pelos Estados Unidos foi aprovada por unanimidade em resposta à série de testes de mísseis balísticos realizados este ano por Pyongyang, apesar da proibição estabelecida pelas Nações Unidas.

Na ONU, a China, aliado de Pyongyang, respaldou as sanções, mas renovou o apelo por um início de diálogo que permita reduzir a tensão na península coreana. No ano passado, a ONU adotou duas resoluções para reforçar as sanções econômicas contra a Coreia do Norte, que já enfrenta várias condenações internacionais desde que realizou, em 2006, seu primeiro teste nuclear. 
 
Militarização
Em sua viagem, Mattis busca reafirmar para seus aliados que os Estados Unidos conseguem pressionar a China no tema das pretensões de Pequim sobre o Mar da China Meridional. Ao mesmo tempo, quer convencer Pequim de que controlar a Coreia do Norte está em sintonia com seus próprios interesses.

A tensão entre Washington e Pequim aumentou nos últimos anos por esta região, que a China considera integralmente como parte de seu território, mas que vários países vizinhos também reclamam. 

Nos últimos anos, a China construiu na região algumas ilhas artificiais e planejou potenciais bases militares em minúsculos recifes. "O alcance e o efeito das atividades de construção no Mar da China Meridional realizadas por Pequim diferem das de outros países em vários pontos chave", disse Mattis.

Em referência às construções na região, Mattis citou "a natureza de sua militarização (...) e mostram desprezo em relação ao Direito Internacional (...) e um desprezo frente aos interesses de outros países".

Washington não aceita a anexação de pequenas ilhas, prática também adotada por outros países da região, e defende uma solução diplomática às divergências.
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