Reino Unido recorda vítimas de atentado com um minuto de silêncio

Desde 22 de março e o ataque perto do Parlamento (5 mortos), seguido pelo atentado de Manchester (22 mortos) em 22 de maio, ambos reivindicados pelo EI, esta é a terceira vez que o país mergulha no luto

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postado em 06/06/2017 09:45

JUSTIN TALLIS/AFP
O Reino Unido observou nesta terça-feira um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do atentado de sábado no centro de Londres cujo terceiro autor foi identificado pela polícia como Youssef Zaghba, um italiano de origem marroquina de 22 anos.

A dois dias das eleições legislativas, milhões de britânicos em todo o país pararam às 11H00 (7H00 de Brasília) em silêncio para prestar homenagem às sete pessoas que morreram no ataque reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).

O prefeito da capital britânica, Sadiq Khan, permaneceu ao lado dos serviços de emergência e ambulância da cidade, enquanto nas ruas, sob chuva, os londrinos se juntaram à homenagem nacional. Bandeiras estavam a meio mastro nos edifícios oficiais.

Desde 22 de março e o ataque perto do Parlamento (5 mortos), seguido pelo atentado de Manchester (22 mortos) em 22 de maio, ambos reivindicados pelo EI, esta é a terceira vez que o país mergulha no luto.

Nesta terça-feira, a polícia britânica identificou o italiano de origem marroquina Youssef Zaghba, de 22 anos, como o terceiro autor do atentado de Londres, como já havia antecipado a imprensa italiana.

Na segunda-feira a polícia anunciou nos nomes dos dois primeiros terroristas: Khuram Shazad Butt, um britânico de 27 anos nascido no Paquistão, e Rachid Redouane, um marroquino de 30 anos.

A Scotland Yard afirma que Zaghba nunca apareceu no radar "nem da polícia nem do MI5", o serviço de inteligência britânico. Mas de acordo com os jornais italianos Corriere della Sera e Repubblica, ele havia sido identificado pela inteligência da Itália.

'Jihadista da TV'

Já Khuram Butt era conhecido dos serviços de segurança britânicos, que, no entanto, não dispunham de indícios que levassem a pensar que ele preparava um atentado.

Mas a imprensa britânica questiona o fato de ele não ter sido detido apesar de ter participado em um documentário do Channel 4 ("Os jihadistas da porta ao lado"), no qual aparecia em frente a uma bandeira preta do Estado Islâmico.

"Por que não prenderam 'jihadista da TV'?", questiona o jornal The Sun.

Para o Telegraph, "é incrível que pessoas que representam uma tal ameaça (...) possam espalhar sua ideologia nauseabunda na televisão sem sofrer consequências".

O ministro das Relações Exteriores Boris Johnson admitiu nesta terça-feira à BBC que era "compreensível" os questionamentos das pessoas ao "ver nos jornais matutinos imagens deste programa de televisão em que aparecia este homem".

"Esta é uma questão que deve ser respondia pelo MI5 e pela polícia", acrescentou, na Sky News.

Rachid Redouane não era conhecido dos serviços de segurança. Ambos viviam em Barking, no leste de Londres, onde um homem foi preso nesta terça-feira, de acordo com a polícia, que já havia anunciado a libertação de 10 suspeitos.

Mais de 130 imãs e líderes religiosos anunciaram que se recusavam a realizar o funeral dos autores do ataque. Suas ações, escreveram em um comunicado emitido pelo Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, "são opostas aos nobres ensinamentos do Islã".

Os três morreram no atentado, mas antes mataram sete pessoas e feriram dezenas: primeiro atropelaram os transeuntes na London Bridge e depois esfaquearam clientes e funcionários dos bares e restaurantes de Borough Market.

Entre as vítimas fatais estão um francês uma canadense, enquanto 36 feridos seguem hospitalizados, incluindo 18 em estado grave.

Uma nova vítima foi identificada nesta terça: Kirsty Boden, uma enfermeira australiana que foi morta ao tentar "ajudar as pessoas" durante o ataque, segundo um comunicado de sua família.

Conservadores em dificuldades

 
O atentado também tem alimentado o debate político nacional.

O líder da oposição trabalhista Jeremy Corbyn pediu a renúncia da primeira-ministra Theresa May, acusando-a pelos cortes nos efetivos da polícia ordenados quando ela era ministra do Interior (2010-2016).

Durante um comício na segunda-feira à noite nos arredores de Bradford (norte), May elogiou, por sua vez, os méritos de sua liderança "forte e estável". 

Seu partido conservador segue liderando as pesquisas, mas a vantagem sobre os trabalhistas diminui significativamente.

De acordo com uma pesquisa Survation publicada nesta terça-feira e realizada com 1.103 pessoas, os Tories caíram mais 2 pontos, para 42%, contra 40% do Labour, em crescimento de 3 pontos.

Estes resultados abalam Theresa May, que espera sair da votação com uma maioria reforçada no Parlamento antes de iniciar as negociações do Brexit.
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