Reino Unido identifica terceiro autor de atentado de Londres

Desde 22 de março e do ataque perto do Parlamento (5 mortos), seguido pelo atentado de Manchester (22 mortos) em 22 de maio, ambos reivindicados pelo EI, esta é a terceira vez que o país mergulha no luto

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 06/06/2017 15:08

O Reino Unido observou nesta terça-feira um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do atentado de sábado no centro de Londres, cujo terceiro autor foi identificado pela Polícia como Youssef Zaghba, um italiano de origem marroquina de 22 anos.



A dois dias das eleições legislativas, milhões de britânicos em todo o país pararam às 11H00 (7H00 de Brasília) em silêncio para prestar homenagem às sete pessoas que morreram no ataque reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).

 

Desde 22 de março e do ataque perto do Parlamento (5 mortos), seguido pelo atentado de Manchester (22 mortos) em 22 de maio, ambos reivindicados pelo EI, esta é a terceira vez que o país mergulha no luto.

Nesta terça-feira, a Polícia britânica identificou o italiano de origem marroquina Youssef Zaghba, de 22 anos, como o terceiro autor do atentado de Londres.

A Scotland Yard afirmou que Zaghba nunca apareceu no radar, "nem da polícia, nem do MI5", o serviço de inteligência britânico.

Mas segundo o procurador de Bolonha (norte da Itália), Giuseppe Amato, ele havia sido apontado em 2016 pelas autoridades italianas às britânicas como "possível suspeito".

 

Leia mais em Mundo

 

Filho de pai marroquino e mãe italiana, foi detido em Bolonha em março de 2016 quando tentava viajar à Turquia, tendo como destino final a Síria.

De acordo com a Inteligência italiana, a presença na Grã-Bretanha e os frequentes deslocamentos do jovem foram comunicados às autoridades britânicas.

"Nós compartilhamos muita informação", assegurou um porta-voz da polícia italiana.

Segundo vários meios de comunicação italianos, Zaghba se apresentou em uma ocasião em um aeroporto com passagem só de ida para a Turquia e uma pequena mochila.

"Ele disse que queria ser um terrorista. Mas depois se retratou", informou o procurador Amato.

O telefone celular e o computador do jovem foram verificados naquela ocasião e a Itália decidiu incluí-lo na lista de pessoas perigosas.

"O tribunal não encontrou provas suficientes", explicou Amato, que reconheceu que não tinha sido possível examinar toda a memória dos dispositivos.

"Em um ano e meio, passou 10 dias na Itália e esteve sob monitoramento (da polícia). Nós fizemos tudo o que podíamos fazer. Não havia nenhuma evidência de que ele era um terrorista", reiterou.

Na segunda-feira a polícia anunciou nos nomes dos dois primeiros terroristas: Khuram Shazad Butt, um britânico de 27 anos nascido no Paquistão, e Rachid Redouane, um marroquino de 30 anos.

'Jihadista da TV'


Khuram Butt era conhecido dos serviços de segurança britânicos, que, no entanto, não dispunham de indícios que levassem a pensar que ele preparava um atentado.

Mas a imprensa britânica questiona o fato de ele não ter sido detido apesar de ter participado em um documentário do Channel 4 ("Os jihadistas da porta ao lado"), no qual aparecia em frente a uma bandeira preta do Estado Islâmico.

"Por que não prenderam 'jihadista da TV'?", questiona o jornal The Sun.

Para o Telegraph, "é incrível que pessoas que representam uma tal ameaça (...) possam espalhar sua ideologia nauseabunda na televisão sem sofrer consequências".

O ministro das Relações Exteriores Boris Johnson admitiu nesta terça-feira à BBC que eram compreensíveis os questionamentos das pessoas ao "ver nos jornais matutinos imagens deste programa de televisão em que aparecia este homem".

"Esta é uma questão que deve ser respondia pelo MI5 e pela polícia", acrescentou, na Sky News.

Rachid Redouane não era conhecido dos serviços de segurança. Ambos viviam em Barking, no leste de Londres, onde um homem foi preso nesta terça-feira, de acordo com a polícia, que já havia anunciado a libertação de 10 suspeitos.

Mais de 130 imãs e líderes religiosos anunciaram que se recusavam a realizar o funeral dos autores do ataque. Suas ações, escreveram em um comunicado emitido pelo Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, "são opostas aos nobres ensinamentos do Islã".

Os três morreram no atentado, mas antes mataram sete pessoas e feriram dezenas: primeiro atropelaram os transeuntes na London Bridge e depois esfaquearam clientes e funcionários dos bares e restaurantes de Borough Market.

Entre as vítimas fatais estão um francês uma canadense, enquanto 36 feridos seguem hospitalizados, incluindo 18 em estado grave.

Uma nova vítima foi identificada nesta terça: Kirsty Boden, uma enfermeira australiana que foi morta ao tentar "ajudar as pessoas" durante o ataque, segundo um comunicado de sua família.

Conservadores em dificuldades


O atentado também tem alimentado o debate político nacional.

O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, pediu a renúncia da primeira-ministra, Theresa May, acusando-a pelos cortes nos efetivos da polícia ordenados quando ela era ministra do Interior (2010-2016).

Durante um comício na segunda-feira à noite nos arredores de Bradford (norte), May elogiou, por sua vez, os méritos de sua liderança "forte e estável".

Seu partido conservador segue liderando as pesquisas, mas a vantagem sobre os trabalhistas diminui significativamente.

De acordo com uma pesquisa Survation publicada nesta terça-feira e realizada com 1.103 pessoas, os Tories caíram mais 2 pontos, para 42%, contra 40% do Labour, que subiu 3 pontos.

Estes resultados abalam Theresa May, que espera sair da votação com uma maioria reforçada no Parlamento antes de iniciar as negociações do Brexit.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.