Último dia de campanha britânica é marcada pelos atentados

Theresa May tentou contra-atacar na terça-feira com a promessa de que fortalecerá a luta antiterrorista e que nada a deterá, nem os direitos humanos

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postado em 07/06/2017 08:12 / atualizado em 07/06/2017 08:31

Oli Scarff/AFP

 
Londres, Reino Unido - A líder conservadora britânica Theresa May e o trabalhista Jeremy Corbyn devem percorrer nesta quarta-feira (7/6) o país no último dia de uma campanha eleitoral marcada por dois atentados e não pelo Brexit, como se acreditava.

May, que foi ministra do Interior (2010-2016) antes de assumir o posto de primeira ministra e se encontra sob uma tempestade de críticas pelos cortes orçamentários nas forças de segurança e as negligências dos serviços, tentou contra-atacar na terça-feira com a promessa de que fortalecerá a luta antiterrorista e que nada a deterá, nem os direitos humanos.
 
 

Depois de enumerar suas propostas - penas de prisão mais duras, restrição dos deslocamentos de suspeitos, deportação de suspeitos estrangeiros, entre outras -, afirmou: "E se as leis dos direitos humanos nos impedirem, mudaremos estas leis". 

O Reino Unido sofreu três atentados em menos de três meses, dois deles durante a campanha, com um total de 34 mortos: em 22 de março, perto do Parlamento britânico (5 mortos); em 22 de maio ao final de um show de Ariana Grande em Manchester (22 mortos) e no sábado passado em Londres (7 mortos até o momento).

Como parte da investigação do ataque de sábado, a polícia anunciou a detenção nesta quinta-feira de um homem de 30 anos em Ilford, bairro da zona leste de Londres, próximo de Barking, onde moravam dois dos três autores do atentado reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).

A polícia e os serviços de inteligência foram alertados sobre o perigo representado por dois dos três terroristas, o que provocou muitas perguntas entre a opinião pública.

May anunciou em 18 de abril a antecipação das eleições, previstas apenas para 2020, quando tinha uma vantagem de 20% nas pesquisas em relação ao trabalhista Jeremy Corbyn. Ela argumentou que desejava fortalecer sua posição antes das negociações de divórcio com a UE, ampliando sua maioria absoluta, atualmente de 17 de deputados.

Mas o que começou como um plebiscito sobre Corbyn e sua aptidão para enfrentar uma União Europeia com sede de vingança - de acordo com a descrição de May - acabou virando uma votação sobre a capacidade da primeira-ministra para melhorar a vida dos mais pobres, proteger o país de atentados e, no final das contas, governar a nação.

"Me dê seu apoio para liderar o Reino Unido, me dê a autoridade para falar em nome do Reino Unido, me fortaleça para lutar pelo Reino Unido", pediu na terça-feira May em Stoke-on-Trent, a cidade com maior índice de apoio ao Brexit no referendo de junho de 2016.

Corbyn reduziu a desvantagem nas pesquisas a apenas 1%, de acordo com o instituto Survation, um dado que deve ser encarado com precaução após os grandes equívocos das pesquisas britânicas nas últimas votações no país. 

O líder trabalhista prometeu acabar com a austeridade orçamentária, contratar mais policiais e fortalecer os serviços públicos. No último dia de campanha, Corbyn deve insistir na mensagem social e recordar que "restam 24 horas para salvar a saúde pública". "Os conservadores passaram os últimos sete anos minando nosso NHS" (Serviço Nacional de Saúded)", afirmou na terça-feira.

Corpo encontrado no rio Tâmisa
Enquanto a polícia tenta reconstruir a trajetória dos três autores do atentado, prossegue o lento processo de identificação dos corpos. A polícia britânica informou nesta quarta-feira que encontrou um corpo no rio Tâmisa, a dois quilômetros do local do atentado de sábado em Londres, quando procurava o francês Xavier Thomas, desaparecido desde o ataque.

A descoberta pode elevar o balanço do atentado na London Bridge e no Borough Market a oito mortos. O presidente da França, Emmanuel Macron, confirmou a morte de um terceiro cidadão do país no atentado de Londres, depois que as autoridades britânicas encontraram um corpo no rio Tâmisa.

O balanço oficial de mortos inclui três franceses, dois australianos, um britânico e uma canadense.

Na Espanha, o ministro do Interior, Juan Ignacio Zoido, classificou de "desumana" a situação vivida pelos parentes de Ignacio Echeverría, o espanhol desaparecido após o atentado de Londres, pela lentidão no processo de identificação.

Ignacio Echeverría, de 39 anos e funcionário do departamento de combate à lavagem de dinheiro do banco HSBC em Londres, passeava com amigos quando presenciou os ataques de sábado à noite. De acordo com amigos, o espanhol intercedeu e ficou entre um dos autores do ataque, armado com facas, e uma mulher que estava sendo agredida.

A última vez que foi visto, Echeverría estava no chão, próximo do Borough Market. Como o nome dele não aparece na lista de 48 feridos, a família teme que ele tenha falecido no atentado.
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