Itália diz que tem 'a consciência tranquila' sobre atentado em Londres

Um cidadão ítalo-marroquino identificado como o terceiro autor do atentado de sábado em Londres foi assinalado como "suspeito" em 2016 pelas autoridades britânicas

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postado em 07/06/2017 11:03 / atualizado em 07/06/2017 11:14

Roma - A Itália tem "a consciência tranquila" e evita toda polêmica com as autoridades britânicas sobre o relatório enviado a Londres sobre um dos autores do atentado, de nacionalidade ítalo-marroquina, indicou nesta quarta-feira o chefe da Polícia, Franco Gabrielli. "Temos cópia dos relatórios e provas do acompanhamento feito. Temos a consciência tranquila", assegurou Gabrielli.

AFP / METROPOLITAN POLICE
O ítalo-marroquino Youssef Zaghba, de 22 anos, identificado como o terceiro autor do atentado de sábado em Londres, que causou a morte de oito pessoas e deixou dezenas de feridos, foi assinalado como "suspeito" em 2016 pelas autoridades britânicas, gerando polêmica no país. "Também temos um grande senso da responsabilidade e entendemos a dor e as dificuldades daqueles que têm que viver uma situação tão complicada", reconheceu Gabrielli, à margem de uma reunião de policiais europeus em Lampedusa.

Para Gabrielli, a Itália se encontra em uma situação "mais favorável" em relação ao Reino Unido, país que recebe "inúmeros" relatórios e acolhe sujeitos perigosos. "Assim, fazer alarde de nossas capacidades é um exercício improdutivo, incorreto e pode ser negado em qualquer momento pelos fatos", esclareceu.

Zaghba, filho de pai marroquino e mãe italiana, foi detido em março de 2016 em Bolonha quando pretendia ir à Turquia e depois para a Síria. Em seu celular, os investigadores encontraram sermões muçulmanos e o rastro de consultas a sites de extremistas, elementos suficientes para ser assinalado como "suspeito" e entrar na lista de pessoas "de risco".

Gabrielli recordou que o jovem foi seguido de perto durante suas curtas passagens pela Itália para visitar a mãe. Para a Scotland Yard, o jovem não estava no radar de seus agentes. Diante do pedido de alguns setores para que a legislação seja mais severa com as pessoas de perfil similar, o chefe da Polícia italiana manifestou as suas dúvidas. "Não podemos acusar essas pessoas simplesmente porque visitam alguns sites. Isso poderia conduzir a situações extremamente complexas", disse. 

"A possibilidade de estabelecer contatos, trocar ideias e discutir as causas faz parte de nossas liberdades fundamentais", afirmou. "Deve-se ter em conta que a Itália conseguiu superar situações complicadas sem anular suas próprias liberdades e estamos orgulhos disto", acrescentou ao mencionar indiretamente os anos 1970 e 1980, quando o país foi sacudido pelos atentados das Brigadas Vermelhas, de extrema esquerda, assim como de organizações de extrema direita, que deixaram 400 mortos.
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