Chefes da Segurança americana negam pressões de Trump

A comissão de Inteligência do Senado ouve nesta quarta-feira os depoimentos dos chefes da Inteligência em meio a uma polêmica por suposta pressão do presidente Donald Trump sobre esses organismos de segurança

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postado em 07/06/2017 14:41

O diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Dan Coats, e o responsável pela Agência Nacional de Segurança, Michael Rogers, negaram nesta quarta-feira diante do Senado terem sofrido pressões da Casa Branca, mas evitaram fornecer detalhes de suas conversas sobre a Rússia com o presidente Donald Trump.



"Jamais sofri qualquer pressão para intervir de qualquer forma para orientar politicamente a Inteligência", disse Coats, enquanto Rogers apontou que "ninguém me pediu para fazer nada ilegal, imoral, pouco ético ou inapropriado".

A comissão de Inteligência do Senado ouve nesta quarta-feira os depoimentos dos chefes da Inteligência em meio a uma polêmica por suposta pressão do presidente Donald Trump sobre esses organismos de segurança.

Um artigo publicado nesta quarta-feira no jornal Washington Post afirmou que a Casa Branca pressionou Coats e Rogers para que negassem qualquer eventual conluio do comitê de campanha de Trump com a Rússia durante a campanha eleitoral de 2016.

Na sessão, Coats e Rogers foram enfáticos ao negar terem sido pressionados pela Casa Branca, mas os quatro funcionários não comentaram detalhes de suas conversas pessoais com Trump.

Coats mencionou que a audiência desta quarta-feira era pública. "No que se refere a temas de Inteligência ou qualquer outro tema discutido [com Trump], me parece inapropriado compartilhá-lo publicamente", disse.

Já Rogers adotou um tom mais desafiador, declarando que não faria "comentários sobre minha interação com o presidente".

 

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O senador conservador Marco Rubio não conseguiu conter sua irritação com os depoimentos. "Não estou pedindo informação confidencial. Estou perguntando se alguém tentou influenciar uma investigação em andamento", reclamou.

O senador Angus King perguntou a Coats sobre a "base jurídica" para se negar a oferecer detalhes à comissão, e o funcionário admitiu não "estar seguro de ter uma base legal" para não responder às questões.

Além de Coats e Rogers, os senadores interrogavam nesta quarta-feira o diretor interino do FBI, Andrew McCabe, e o procurador-geral adjunto, Rod Rosenstein.

Entretanto, o depoimento mais esperado desta sequência ocorrerá na quinta-feira pela manhã, quando os senadores forem ouvir o depoimento do ex-diretor do FBI James Comey, que teria sugerido em um memorando interno as pressões diretas de Trump.

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A audiência desta quarta-feira é um prelúdio ao grande acontecimento desta semana: o testemunho, ante os mesmos parlamentares, na quinta-feira, de James Comey.

Demitido de surpresa em 9 de maio por Trump, que inclusive utilizou o Twitter para ameaçá-lo sugerindo ter gravações de suas conversas, Comey se manteve em silêncio desde então.

Como diretor do FBI, Comey estava à frente da investigação sobre o papel da Rússia nas eleições do ano passado.

Nessa investigação, um dos investigados era o general Michael Flynn, nomeado assessor para a Segurança Nacional de Trump.

De acordo com a imprensa americana, Comey chegou a redigir um memorando interno a seus subordinados alegando que em uma conversa pessoal com Trump o presidente sugeriu que Flynn fosse "deixado tranquilo".

"Me alegro de que seja uma audiência pública", disse o líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer. "Nesta matéria os americanos devem saber toda a verdade e nada além da verdade".

De acordo com a CNN, Comey está disposto a contar tudo o que sabe, mas segundo a ABC, o ex-diretor do FBI não acusará o presidente de obstrução à Justiça.

Trump nega qualquer cumplicidade com a Rússia para influenciar o resultado das eleições presidenciais.

O presidente disse publicamente que deseja virar a página, mas a investigação - agora nas mãos do procurador especial independente Robert Mueller - paralisa a sua presidência.

A audiência do ex-chefe do FBI desperta grande expectativa na capital americana, e vários bares de Washington vão abrir mais cedo para acompanhar a sessão que será exibida ao vivo pela televisão.

Perguntado na terça-feira sobre a audiência de Comey, Trump respondeu: "lhe desejo boa sorte".
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