EUA: procurador-geral diz ser mentirosa tese de conluio com Rússia

A interminável polêmica que se instalou como uma sombra sobre a Casa Branca surgiu durante a campanha, com o ataque de hackers aos computadores do Comitê Nacional do Partido Democrata

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postado em 14/06/2017 06:50

Washington, Estados Unidos - O procurador-geral americano, Jeff Sessions, negou com veemência nesta terça-feira (14/6) ter feito conluio com a Rússia para influenciar as eleições presidenciais dos EUA, em 2016, a favor de Donald Trump.

"Eu nunca me encontrei ou tive qualquer conversa com russos ou autoridades estrangeiras sobre qualquer tipo de interferência em qualquer campanha ou eleição nos Estados Unidos", disse Sessions ao Comitê de Inteligência do Senado.

"A sugestão de que eu participei de qualquer conluio com o governo russo para afetar este país, ao qual servi com honra por 35 anos, ou para minar a integridade de nosso processo democrático é uma mentira assustadora e detestável". "Nunca me encontrei ou mantive qualquer conversa com os russos ou funcionários de qualquer outro governo sobre interferência em qualquer campanha nos Estados Unidos".

Sessions é o funcionário de mais alto nível a prestar declarações ante esta comissão a partir da controvérsia sobre um eventual conluio com a Rússia durante a campanha de Donald Trump nas eleições presidenciais do ano passado.

Esta audiência ocorre dias depois do testemunho explosivo do ex-diretor do FBI, James Comey, perante a mesma comissão e que provocou um terremoto político na capital americana. Nesta audiência, Comey reafirmou que Trump tentou convencê-lo a desviar parte da investigação que conduzia na época no FBI e que se concentrava no general Michael Flynn, ex-assessor de segurança nacional da Casa Branca.

Não me lembro
Com relação ao encontro mantido com o embaixador russo em Washington, durante uma cerimônia em um hotel da capital americana, Sessions disse que não se lembrava. Pressionado por diversos senadores, Sessions declarou que "possivelmente cruzei" com o embaixador russo, "mas não me recordo de ter conversado com ele".

De qualquer forma, se houvesse ocorrido uma conversa, "não teria envolvido qualquer tema impróprio". Sessions disse ainda não recordar se outros membros da campanha de Trump mantiveram contatos com altos funcionários russos durante a campanha. Em outro trecho da audiência, os senadores interrogaram Sessions sobre seu papel na demissão de Comey do cargo de diretor do FBI.

Nesta questão, Sessions disse: "não estou em condições de discutir com vocês, confirmar ou negar a natureza das conversas privadas que possa ter mantido com o presidente sobre este ou outros temas". Diante da posição de Sessions, alguns democratas o acusaram de obstruir uma investigação vital, e o procurador-geral reagiu afirmando que observa "as políticas históricas do departamento de Justiça".

A Comissão de Inteligência do Senado conduz uma das várias investigações em andamento sobre o suposto papel desempenhado pela Rússia durante as eleições vencidas por Trump. Sessions já de declarou impedido de participar, de qualquer forma, de uma investigação sobre a mesma questão realizada pelo departamento de Justiça, para a qual se designou um procurador independente, Robert Mueller.

Nesta terça-feira circularam boatos de que Trump poderia demitir Mueller, e Sessions se negou a comentar tais rumores. Após a audiência, uma porta-voz da Casa Branca garantiu que Trump não tem a intenção de demitir Mueller.

Polêmica que não se dissipa
A interminável polêmica que se instalou como uma sombra sobre a Casa Branca surgiu durante a campanha, com o ataque de hackers aos computadores do Comitê Nacional do Partido Democrata. Pouco depois, milhares de e-mails do comitê de campanha da candidata democrata Hillary Clinton foram publicados no site WikiLeaks.

No final de 2016, diversos órgãos de inteligência dos EUA afirmaram que a Rússia estava por trás destas operações para ajudar Trump. O escândalo foi reforçado pelos diversos contatos que pessoas ligadas à campanha de Trump mantiveram com altos funcionários russos, alimentando as suspeitas.

Como diretor do FBI, Comey conduzia uma investigação centrada no general Michael Flynn, nomeado assessor de Segurança Nacional da Casa Branca. Flynn manteve conversações com um alto diplomata russo antes de assumir seu cargo, e posteriormente ocultou os contatos de seus superiores.

Em maio, Trump despediu Comey alegando que a investigação sobre a Rússia era uma "nuvem" que o FBI era incapaz de dissipar. Em depoimento no Senado, Comey afirmou que Trump lhe pediu para deixar Flynn em paz, um gesto que pode ser interpretado como tentativa de obstrução à justiça. Este cenário caótico motivou a nomeação de Mueller como procurador independente para investigar o caso.
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