Trump promete resposta severa após lançamento de míssil norte-coreano

Na quarta-feira, os Estados Unidos, com o apoio da França, anunciaram na ONU a intenção de propor novas sanções contra a Coreia do Norte, depois que Pyongyang lançou com sucesso um míssil balístico intercontinental

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postado em 06/07/2017 09:09

AFP / Nicholas Kamm - 30/6/2017
O presidente americano Donald Trump prometeu nesta quinta-feira (6/7) uma resposta "bastante severa" a Coreia do Norte, após o lançamento de um míssil balístico intercontinental, um dia depois de Washington e Paris terem solicitado novas sanções contra Pyongyang.

"Eu peço a todas as nações que enfrentem esta ameaça global e demonstrem publicamente a Coreia do Norte que há consequências para seu comportamento muito, muito ruim", declarou Trump durante uma visita a Varsóvia. Washington estuda a adoção de "medidas severas", disse, antes de completar: "Isto não significa que vamos fazer". 

Na quarta-feira, os Estados Unidos, com o apoio da França, anunciaram na ONU a intenção de propor novas sanções contra a Coreia do Norte, depois que Pyongyang lançou com sucesso um míssil balístico intercontinental (ICBM). A Rússia, no entanto, já expressou oposição. 

O Conselho de Segurança fez uma reunião de emergência na quarta-feira a pedido de Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul.

O laçamento da Coreia do Norte de um ICBM, que segundo especialistas poderia atingir o Alasca, "é uma clara e forte escalada militar", disse a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, durante a reunião. "Nos próximos dias apresentaremos ao Conselho de Segurança uma resolução que aumenta a resposta internacional de forma proporcional à nova escalada da Coreia do Norte", declarou.

"Estados Unidos estão preparados para utilizar todos os meios", incluindo os militares, em sua defesa, afirmou Haley, antes de explicar que "prefere evitar avançar nesta direção. Haley afirmou ter conversado com o presidente Donald Trump sobre o uso de restrições comerciais aos países que mantêm relações com a Coreia do Norte.

China e Rússia contra sanções 
Nos primeiros meses de seu mandato, Trump tentou convencer a China a controlar as explosões nucleares de seu aliado norte-coreano. Mas com o tempo, se deu conta de que Pequim não trabalharia nesse sentido.

No mais recente sinal de sua crescente insatisfação com o gigante asiático, Trump afirmou na quarta-feira no Twitter que a China está minando os esforços dos Estados Unidos e que aumentou seu comércio com Pyongyang.

Frank Aum, ex-assessor sobre a Coreia do Norte do Departamento de Defesa, aumentar as sanções é a única opção realista para os Estados Unidos. "Não acredito que a administração Trump planeje nenhuma outra opção. Já não acreditam realmente nas negociações e pensam que devem aumentar a pressão, sobretudo na área financeira". 


Os Estados Unidos conseguiram fazer que a França se somasse à sua ideia de reforço às sanções contra a Coreia do Norte, mas a Rússia e a China manifestaram oposição.

Durante uma visita a Moscou, o presidente chinês, Xi Jinping, disse na terça-feira que os dois países são favoráveis a uma "dupla moratória": Pyongyang se comprometeria a interromper seus testes nucleares e Washington a renunciar a novas manobras militares conjuntas com a Coreia do Sul.

"Todos devemos reconhecer que as sanções não resolverão problema", disse o embaixador russo Vladimir Safronkov na reunião, acrescentando que uma solução militar é "inadmissível". O embaixador chinês na ONU, Liu Jieyi, disse nesta quarta-feira que a resposta militar à crise "não deve ser uma opção".

"Linha Vermelha" 
No começo de seu mandato, Trump acreditava que a Coreia do Norte não conseguiria lançar um ICBM com êxito. No entanto, especialistas independentes americanos estimaram na terça-feira que Pyongyang pode estar em condições de atingir o Alasca ou até mesmo o território continental dos Estados Unidos.

O Conselho de Segurança adotou no ano passado duas resoluções para aumentar a pressão sobre a Coreia do Norte e impedir que seu líder Kim Jong-Un tivesse acesso ao dinheiro necessário para financiar seus programas militares.

Aas resoluções apontam diretamente para as exportações de carvão norte-coreano, fonte importante de receitas para o regime. No total, a ONU adotou seis pacotes de sanções contra a Coreia do Norte desde seu primeiro teste atômico em 2006. O novo presidente sul-coreano, Moon Jae-In, classificou a ação do vizinho de "grave provocação" e se mostrou partidário de "reagir com algo mais que uma mera declaração".

Moon, que defende uma política de sanções para a Coreia do Norte combinada com esforços para que retorne às negociações, advertiu a Pyongyang que há uma "linha vermelha" que não pode ser ultrapassada. Em uma reunião com a chanceler alemã Angela Merkel antes da reunião do G20 em Hamburgo, Moon disse que "a velocidade" do avanço dos programas nuclear e balístico da Coreia do Norte é "um problema maior".

Pyongyang, que já realizou cinco testes nucelares e tem um pequeno arsenal de bombas atômicas, diz que seu novo míssil pode transportar "uma grande ogiva nuclear". Em resposta ao míssil balístico intercontinental testado na véspera por Pyongyang, Washington e Coreia do Sul dispararam na quarta-feira mísseis que simularam um ataque cirúrgico contra o governo norte-coreano.
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