Casa Branca fica na defensiva por encontro de filho de Trump com russa

Um jornal afirma que o filho do presidente havia sido informado antes da reunião, via e-mail, que o material da advogada russa era parte de um esforço de Moscou para ajudar a campanha presidencial de seu pai

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postado em 11/07/2017 09:03

A sombra da intervenção russa na eleição presidencial americana de 2016 voltou a assombrar Donald Trump, que se declarou disposto a "trabalhar construtivamente" com Moscou, após revelação do jornal The New York Times de que seu filho mais velho conversou com uma advogada ligada ao Kremlin em plena campanha.

Citando pessoas que estiveram na reunião, o New York Times informou que Donald Trump Jr. participou do encontro com a promessa de obter "informação prejudicial" sobre a então candidata democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

Em uma revelação potencialmente mais comprometedora, o jornal afirma que o filho do presidente havia sido informado antes da reunião, via e-mail, que o material da advogada russa era parte de um esforço de Moscou para ajudar a campanha presidencial de seu pai e prejudicar a rival democrata.

Também teriam participado o genro e hoje assessor direto de Trump na Casa Branca, Jared Kushner, e o então diretor de campanha do candidato republicano, Paul Manafort. De acordo com o jornal, esse encontro aconteceu em junho de 2016, em Nova York.

Em nota enviada ao NYT, Trump Jr. reconheceu ter conversado com a advogada Natalia Veselnitskaya. Segundo ele, Natalia "afirmou ter informações sobre pessoas conectadas com a Rússia, que financiavam o Comitê Nacional Democrata e apoiavam Hillary".

"Logo ficou evidente que não tinha informação significativa", tentou esclarecer, acrescentando que, na sequência, a advogada falou sobre um programa de adoção de crianças russas, por parte de casais americanos, e que havia sido suspenso pelo presidente Vladimir Putin.

O filho de Trump garantiu que as adoções foram "o verdadeiro tema do encontro, e as afirmações sobre informação potencialmente útil (sobre Hillary Clinton) foram um pretexto para realizar a reunião". Várias agências americanas, incluindo o FBI, investigam o suposto conluio entre a Rússia e membros da equipe de campanha de Trump, que nega com veemência a hipótese.

"Muito barulho por nada" 
O advogado do filho de Trump, Alan Futerfas, classificou a informação de "muito barulho por nada". Em um comunicado enviado à AFP, Futerfas afirma que o filho de Trump foi contactado por um indivíduo chamado Rob Goldstone, descrito pelo NYT como um editor e ex-repórter de um jornal britânico.


Goldstone sugeriu em um e-mail que determinadas "pessoas tinham informação sobre supostas ações equivocadas da líder do Partido Democrata, Hillary Clinton, em sua relação com a Rússia", disse Futerfas. Ele afirmou que Trump Jr. não sabia que informação específica seria discutida na reunião, que durou de 20 a 30 minutos. "Não aconteceu nada. O pai dele não sabia nada sobre isto. A conclusão é que Donald filho não fez nada ruim", disse Futerfas, antes de acrescentar que seu cliente cooperaria em qualquer investigação.

Apesar de Trump Jr. não integrar o governo, sua atuação durante a campanha, assim como sua presença na reunião eleitoral com Kushner e Manafort, forçaram a Casa Branca a dar explicações. "A reunião foi muito curta e não houve outra", disse Sarah Huckabee Sanders, porta-voz da presidência, acrescentando que Trump só soube do encontro "há poucos dias". "O presidente não teve conhecimento e não participou do encontro", disse à AFP Mark Corallo, porta-voz do advogado particular de Trump.

Mas as explicações não foram suficientes para apaziguar o Congresso, onde uma comissão do Senado investigará a reunião.

"É a primeira vez que o público vê provas claras de, ao menos, uma tentativa da equipe de campanha de Trump de obter informação, neste caso procedente de um potencial agente estrangeiro, que poderia ter interferido com os esforços de campanha de Hillary Clinton", disse ao canal a CNN o vice-presidente democrata da Comissão de Inteligência do Senado, Mark Warner.

A senadora republicana Susan Collins afirmou que a comissão "precisa entrevistar" Trump Jr. e os outros participantes da reunião. O filho mais velho do presidente rapidamente aceitou o convite: "Contente de trabalhar com a Comissão para transmitir o que sei", escreveu no Twitter.

A notícia surgiu horas depois de Trump ter publicado uma série de tuítes, no domingo, após seu primeiro encontro cara a cara com Putin durante uma cúpula do G20. Neles, disse ter confrontado o colega russo sobre as denúncias de ingerência das agências de Inteligência de Moscou na corrida presidencial americana.

"Insisti energicamente duas vezes com o presidente Putin sobre uma interferência russa na nossa eleição", tuitou, acrescentando que "ele negou veementemente".

Trump reiterou que chegou o momento de fazer a relação bilateral avançar, ainda que Estados Unidos e Rússia mantenham várias divergências sobre temas globais. "É hora de trabalhar de forma construtiva com a Rússia", defendeu.
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