Republicanos amargam nova derrota no Senado dos EUA para revogar Obamacare

A medida foi rejeitada por 51 votos contra 49. "Três republicanos e 48 democratas falharam com o povo americano", reagiu Trump no Twitter.

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postado em 28/07/2017 10:11

Washington, Estados Unidos - Minados por divergências internas, os republicanos americanos fracassaram mais uma vez em sua tentativa de revogar a reforma de saúde de Barack Obama, aprovada em 2010. Este foi mais um duro golpe para o presidente Donald Trump.

O momento decisivo da votação, que se prolongou até a madrugada desta sexta-feira (28/7), foi quando o senador John McCain, recentemente diagnosticado com um câncer no cérebro, aliou-se com duas republicanas moderadas e com todos os democratas na oposição à reforma do Obamacare. A medida foi rejeitada por 51 votos contra 49. "Três republicanos e 48 democratas falharam com o povo americano", reagiu Trump no Twitter.

"Como disse desde o início, vamos deixar que o Obamacare imploda. Depois negociaremos", acrescentou. "Foi uma grande desilusão", disse a seus colegas o líder da bancada republicana nessa Casa, Mitch McConnell, após uma das votações mais tensas dos últimos anos no Senado. "Lamento que nossos esforços tenham sido insuficientes desta vez", desabafou.

O fracasso é um forte golpe para a liderança republicana e para Trump, que prometeu reiteradas vezes a revogação e a substituição do Affordable Care Act, lei conhecida como Obamacare, aprovada em 2010 pelo então presidente.

Última de uma série de esforços malsucedidos para acabar com a reforma, a votação desta sexta se referia a um projeto de lei em versão light, o qual eliminaria apenas algumas partes da legislação em vigor. Entre elas, a obrigação imposta a indivíduos e a empresas com mais de 50 funcionários de adquirirem um seguro de saúde, sob pena de pagar multa.

Com isso, os republicanos pretendiam construir uma base sobre a qual negociar com a Câmara de Representantes. Essa "revogação de mínimos" parecia atender aos conservadores do partido. Agora, já são dois fracassos consecutivos no Senado.

Alguns republicanos - McCain entre eles - criticaram o projeto de lei, preocupando-se com que a Câmara baixa mudasse de opinião, aprovasse o projeto e o enviasse automaticamente para Trump. O presidente teria apenas de promulgar a lei.

Os republicanos controlam ambas as Casas do Congresso, mas contam apenas com 52 das 100 cadeiras do Senado. Assim, qualquer deserção é praticamente fatal. O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês) analisou o projeto e chegou à conclusão de que, se a lei fosse aprovada, os valores dos seguros sofreriam um aumento de 20% ao ano. Além disso, 16 milhões de pessoas perderiam seu plano.

O presidente da Câmara de Representantes, Paul Ryan, chegou a declarar que a Casa estava disposta a negociar com o Senado, podendo, inclusive adiar a entrada em recesso. A promessa parece não ter sido suficiente para McCain.

Até o vice-presidente americano, Mike Pence, compareceu à sessão por volta da meia-noite. Em caso de empate (50-50), ele daria o voto de minerva. Não foi necessário. McCain não cedeu à pressão e votou contra, sob o aplauso de vários democratas. "Agora, temos de voltar ao modo correto de legislar e devolver o projeto ao comitê, realizar audiências, receber opiniões de ambos os lados, ouvir as recomendações dos governadores da nação e elaborar um projeto que finalmente ofereça cobertura de saúde acessível para o povo americano", justificou McCain, em um comunicado.

'Virar a página' 
"Não estamos celebrando. Estamos aliviados, porque milhões de pessoas poderão manter seu seguro de saúde", afirmou o líder da bancada democrata, senador Chuck Schumer, admitindo, contudo, que o Obamacare precisa de melhorias.

"Viremos a página e trabalhemos juntos para melhorar nosso sistema de saúde", convocou. Alguns republicanos se negavam a aceitar que as tentativas para derrogar a reforma de saúde tenham, enfim, se esgotado. "O jogo só acaba quando termina", disse o senado John Kennedy à imprensa, ainda na expectativa de que o Congresso possa começar do zero.

Conseguir isso pode exigir, porém, muito tempo e menos partidarismo. A última tentativa aconteceu por meio de um procedimento especial que requeria apenas maioria simples. Agora, é provável que qualquer novo plano precise de uma maioria de 60 votos. Neste caso, teriam de contar com apoio democrata.
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