Engenheiro do Google defende predomínio masculino no Vale do Silício

A nota, considerada "sexista" pela imprensa americana, reavivou o atual debate sobre a existência de uma "cultura sexista e de assédio" no conglomerado de tecnologia, amplamente dominado pelos homens

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postado em 07/08/2017 09:32

Loic Venance / AFP - 28/12/2017
Nova York, Estados Unidos - O Google está no centro de uma polêmica desde domingo (6/8), depois que um de seus funcionários tentou justificar em um comunicado interno a ausência de diversidade no Vale do Silício e afirmou que a reduzida presença de mulheres é provocada por diferenças biológicas. 

A nota, considerada "sexista" pela imprensa americana, reavivou o atual debate sobre a existência de uma "cultura sexista e de assédio" no conglomerado de tecnologia, amplamente dominado pelos homens. Na carta de 3 mil palavras, o funcionário, um engenheiro, afirma que "as opções e as capacidades de homens e mulheres divergem, em grande parte devido a causas biológicas, e estas diferenças podem explicar por quê não existe uma representação igual de mulheres (em posições) de liderança". 

As aptidões naturais levam os homens a ser programadores de informática, enquanto as mulheres são, de acordo com o profissional que não teve a identidade revelada, mais proclives "aos sentimentos e à estética que às ideias", o que as leva a escolher carreiras nas áreas "social e artística". 

"Não é um ponto de vista que a empresa e eu mesmo respaldemos, promovamos ou incentivamos", respondeu em um e-mail aos funcionários Danielle Brown, diretora da área de diversidade, que trabalhava na Intel e foi contratada pelo Google há apenas um mês. De acordo com sua mensagem, o debate interno na empresa está estimulado pelos "princípios de igualdade no emprego, que podem ser observados em nosso código de conduta, nossas políticas e nossas normas antidiscriminatórias".  

Mas ela destaca que o Google sempre defendeu "uma cultura na qual aqueles que têm pontos de vista diferentes, inclusive políticos, sintam-se seguros de poder expressá-los". Procurada pela AFP, a empresa não fez comentários. Não foi possível saber se o grupo pensa em adotar alguma medida contra o engenheiro. A publicação da nota pelo site Motherboard aconteceu após vários escândalos e demissões vinculadas à ausência de diversidade em empresas emblemáticas do Vale do Silício, como Uber. 
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