Renault fecha acordo de 780 milhões de dólares com o Irã

Diferentemente de seu principal concorrente, a PSA, fabricante de Peugeots e Citroens, a Renault nunca abandonou completamente o Irã durante o período de sanções

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postado em 07/08/2017 14:23

A francesa Renault assinou nesta segunda-feira (7/8) um aguardado acordo com o Irã no valor de 779 milhões de dólares para fabricar até 300 mil carros por ano. 
 
 
O novo negócio criado pelo acordo estabelece a Renault como parceira da estatal Organização do Desenvolvimento e Renovação Industrial (IDRO) e da privada Parto Negin Naseh, ambas empresas iranianas.

A Renault vai ser dona de 60% das ações da nova companhia, IDRO e Parto Negin Naseh terão 20% cada.

"A primeira fase desse acordo de 660 milhões de euros permite a fabricação anual de 150 mil carros", disse o diretor da IDRO Mansour Moazami, na cerimônia para celebrar o acordo, em Teerã. 

Ele disse que os primeiros carros vão estar prontos para rodar em 18 meses. 

O novo negócio vai produzir os modelos Duster e Symbol, da Renault, numa fábrica remodelada em Saveh, a cerca de 120 quilômetros de Teerã. 

Uma segunda fase, com duração de três anos, vai ter início em 2019 e elevar o ritmo de produção para até 300 mil veículos ao ano. 


"Estamos felizes de assinar um dos contratos mais históricos da Renault aqui", disse Thierry Bollore, número dois da fabricante francesa, na cerimônia. 

"Na Renault, o Irã é conhecido por seu grande potencial automobilístico, sua infraestrutura da indústria automotiva, fortes recursos humanos e posição geopolítica única", completou.

Diferentemente de seu principal concorrente, a PSA, fabricante de Peugeots e Citroens, a Renault nunca abandonou completamente o Irã durante o período de sanções e já produz cerca de 200 mil veículos no país anualmente. 

Mas ela precisou frear os planos de expansão até o Irã concluir o acordo nuclear com potências mundiais, afrouxando as sanções internacionais. 

"A Renault provou seu compromisso com uma presença ininterrupta no Irã desde o começo de sua operação, em 2004, e esse acordo confirma nossas intenções e compromissos para operações a longo prazo, como um parceiro estratégico da indústria automotiva iraniana", afirmou Bollore.

"Esse é um acordo único em termos de investimento, transferência de tecnologia, desenvolvimento dos talentos iranianos e criação de um moderno centro de engenharia e produção", concluiu. 

A produção de veículos no país deve alcançar 2 milhões de carros ao ano em 2020, ante 1,2 milhão em 2016.

Empresas francesas têm sido pioneiras na reconstrução de laços comerciais com o Irã desde o acordo nuclear. A gigante do setor energético Total assinou um acordo de 1 bilhão de dólares no mês passado, apesar das pressões americanas para isolar o país. 
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