Silêncio na UE após discurso de presidente catalão

Horas antes, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, havia pedido a Puigdemont evitar qualquer decisão que dificultasse o "diálogo", reiterando seu apoio ao governo espanhol em sua queda de braço com os separatistas

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postado em 10/10/2017 18:51

As instituições europeias fizeram silêncio nesta terça-feira (10/10) diante do discurso do presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, que suspendeu uma declaração unilateral de independência após o referendo de 1º de outubro, proibido pela Justiça espanhola.


Horas antes, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, havia pedido a Puigdemont evitar qualquer decisão que dificultasse o "diálogo", reiterando seu apoio ao governo espanhol em sua queda de braço com os separatistas.

"Hoje peço que respeite em suas intenções a ordem constitucional [da Espanha] e que não anuncie uma decisão que torne tal diálogo impossível", ressaltou Tusk em um apelo dirigido a Puigdemont, diante do Comitê Europeu das Regiões (CDR).

Os europeus consideram "ilegal" o referendo de independência realizado na Catalunha em 1º de outubro, suspenso pelo Tribunal Constitucional e que o governo espanhol tentou evitar mediante ações que deram a volta ao mundo.

Apesar de alguma crítica à violência policial e de apelos ao "diálogo", os 28 membros do bloco fecharam desde então fileiras com Madri. Mas a preocupação continua em um bloco que enfrenta sua pior crise política, a negociação de um divórcio com o Reino Unido, e mantém disputas com países do leste, como Polônia e Hungria.

A crise na Espanha "poderia debilitar a Europa", advertiu o chefe do CDR, Karl-Heinz Lambertz.

"A diversidade não deve, nem tem que levar a conflitos, cujas consequências obviamente seriam más para os catalães, para a Espanha e para toda a Europa", advertiu Tusk em seu apelo a Puigdemont.

'A força dos argumentos'


Diante da possibilidade de uma declaração unilateral de independência por parte do presidente catalão, as instituições europeias redobraram seus esforços horas antes do discurso para evitar este cenário, pedindo um "diálogo" na Espanha, mas sem oferecer mediação.

Como afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron, na cidade alemã de Frankfurt, "se a União Europeia interviesse hoje estaria tratando em pé de igualdade" o presidente catalão e o chefe de governo espanhol, o conservador Mariano Rajoy.

O único a oferecer mediação foi o ministro austríaco das Finanças, Hans Jörg Schelling, com uma única condição, chave neste clube de nações: "se a Espanha o pedir", afirmou, em sua chegada de uma reunião do Conselho da UE em Luxemburgo.

 

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Madri não demorou em declinar esta oferta nas palavras de seu ministro da Economia, Luis de Guindos, que na capital luxemburguesa explicou que "a proposta do governo espanhol em [este] momentos não [era] um tema de mediação, [era] um tema de volta à legalidade".

Os europeus se limitaram, assim, a pedir diálogo e evitar "o uso da força", com as imagens das ações policiais ainda frescas na memória. Macron disse, neste sentido, "confiar" em uma solução pacífica diante do "ato de força" do governo catalão.

"A força dos argumentos sempre é melhor que o argumento da força", afirmou Tusk, que disse falar como titular do Conselho Europeu, mas também como "um regionalista", "um homem que sabe o que se sente ao ser atingido por um cassetete policial" e como ex-primeiro-ministro da Polônia.

'Declaração inaceitável'


Carles Puigdemont reivindicou também uma mediação internacional para solucionar a crise, durante seu discurso em que, ao contrário, mostrou-se decidido a levar a Catalunha a uma "República independente", apesar de convocar o Parlamento regional a suspender "os efeitos" da independência para permitir um diálogo.

Embora as instituições comunitárias ainda não tenham se pronunciado, alguns eurodeputados, como o chefe das fileiras do PPE (direita), Manfred Weber, ou os Verdes pediram "diálogo". "Os movimentos unilaterais só podem agravar as coisas", acrescentou o líder da principal formação.

O chanceler italiano, Angelino Alfano, rompeu o silêncio dominante para condenar no Twitter a "inaceitável declaração unilateral de independência catalã" e expressar sua confiança em Rajoy para "garantir os direitos de todos os cidadãos".

Os europeus reiteraram em várias ocasiões que qualquer solução deve passar pelo marco jurídico espanhol, cujo Tribunal Constitucional suspendeu a realização do referendo, no qual, segundo o governo regional, o sim à independência venceu com 90% dos votos.

A Comissão Europeia reiterou nesta terça-feira que foi "ilegal" essa votação e explicou que, inclusive no caso de uma separação legal, esta região de 7,5 milhões de habitantes do nordeste da Espanha ficaria fora da UE.

"Desejamos tudo de melhor à Catalunha, mas acreditamos que a solução está na Constituição espanhola. Fora da Constituição espanhola não é uma boa solução", afirmou o ministro alemão das Finanças, o influente Wolfgang Schäuble.
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