Socialista espanhol culpa Puigdemont por eventual aplicação do Artigo 155

O governo espanhol confirmou nesta quarta-feira (18/10) que cogita suspender a autonomia da Catalunha

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postado em 18/10/2017 12:17

Bruxelas, Bélgica - O líder do principal partido de oposição na Espanha, o socialista Pedro Sánchez, responsabilizou o presidente da Catalunha, o separatista Carles Puigdemont, pela eventual suspensão da autonomia dessa região espanhola.

"Está nas mãos do senhor Puigdemont não aplicar o 155", afirmou Sánchez em entrevista coletiva no Parlamento Europeu em Bruxelas, onde manifestou sua "gratidão" aos líderes das instituições comunitárias por seu apoio à Espanha nesse momento.

O governo espanhol confirmou nesta quarta-feira (18/10) que cogita suspender a autonomia da Catalunha, se o presidente regional não recuar, em até 24 horas, em seu desafio separatista.

"Se não for atendido o requerimento do governo espanhol, o senhor Puigdemont vai provocar a aplicação do artigo 155 da Constituição", que contempla a suspensão da autonomia, caso o governo regional não respeite a lei, declarou no Congresso a vice-presidente, Soraya Saénz de Santamaría.

O líder socialista disse que, ontem, conversou com o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, sobre "todos os cenários" e sobre "todos os instrumentos que a Constituição reconhece" para desativar a crise.

Ao ser questionado sobre se a realização de eleições antecipadas na Catalunha, cuja convocação cabe ao governo regional, evitaria a ativação do Artigo 155, Sánchez respondeu: "sem dúvida alguma".

"A única via que o senhor Puigdemont tem é restaurar a legalidade vigente e, do ponto de vista político, antecipar as eleições", acrescentou.

Também em uma coletiva de imprensa em Bruxelas, o secretário de Relações Exteriores do governo catalão, Raül Romeva, descartou essa possibilidade, assim como que seu governo vá recuar, se o Artigo 155 for ativado.

"Não há opção, não há alternativa", garantiu Romeva, considerando que o governo Rajoy "está ameaçando com algo que já fizeram pela porta dos fundos", em referência à "intervenção das finanças catalãs".

Assunto interno
Durante sua visita de dois dias a Bruxelas, o líder da oposição espanhola deve se reunir ainda hoje com o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani.

Amanhã, horas antes de uma cúpula de presidentes europeus, encontra-se com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e com líderes social-democratas europeus.

Até o momento, as instituições europeias mostraram seu apoio a Rajoy, embora descartem uma eventual mediação, alegando que a situação na Catalunha é um "assunto doméstico".

"Os socialistas consideram que é um assunto doméstico" da Espanha, defendeu Sánchez.

Para ele, o caminho para "resolver esse problema" é sua proposta de iniciar a discussão de uma reforma da Constituição, o que "Rajoy aceitou".

Já Raül Romeva reiterou que o problema catalão também é um assunto europeu. Questionado sobre a possibilidade de que seu governo seja afastado, ou detido, disse que esse cenário existe.

"Minha pergunta é: Isso é normal? É algo que a UE aceitaria, pode aceitar, pode viver com isso?", insistiu.
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