Combatentes árabes e curdos se preparam para entregar Raqa aos civis

As posições ocupadas há meses na cidade pelos combatentes das Forças Democráticas Sírias (FDS) foram abandonadas, com exceção de algumas na praça central de Al-Naim

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postado em 19/10/2017 12:46

Raqa, Síria - As forças árabes e curdas apoiadas pelos Estados Unidos que tomaram a cidade de Raqa, no norte da Síria, dos extremistas do Estado Islâmico se preparavam nesta quinta-feira (19/10) para entregar a cidade às autoridades civis.

As posições ocupadas há meses na cidade pelos combatentes das Forças Democráticas Sírias (FDS) foram abandonadas, com exceção de algumas na praça central de Al-Naim. A ofensiva das FDS contra a antiga "capital" do EI durou mais de quatro meses.

Na terça-feira, as FDS anunciaram o fim dos combates e o início das operações para limpar a cidade das minas terrestres e procurar possíveis células jihadistas. Com a perda de Raqa, a organização jihadista tem poucos territórios na Síria, concentrando-se na vizinha província de Deir Ezzor, para onde alguns combatentes das FDS já partiram.

"Algumas unidades se retiraram, outras permanecem na cidade para as operações de desminagem, então a cidade será entregue a um conselho civil", declarou a comandante Rojda Felat.

"Com as operações militares concluídas, uma parte significativa das forças foram retiradas de Raqa e enviadas para outras áreas, incluindo Deir Ezzor", acrescentou Mustefa Bali, porta-voz das Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG), componente principal das FDS.

Talal Sello, porta-voz das FDS, informou que em dois dias não foram encontrados combatentes do Estado Islâmico, mas os interrogatórios daqueles que foram capturados ou que se renderam durante a batalha continuam. "A inteligência das FDS continua investigando-os, incluindo estrangeiros", disse ele à AFP. A administração da cidade, em ruínas e sem habitantes, será assumida pelo Conselho Civil de Raqa, um corpo que reúne lideranças locais criado há seis meses.


A entrega oficial da cidade deve acontecer na sexta-feira, mas o Conselho já trabalha há meses em planos de reconstrução. Eles assumirão o controle de uma cidade fantasma sem serviços básicos ou infraestruturas. No mês passado, a ONU estimou que 80% da cidade era inabitável.

- Raqa 'libertada por mulheres livres' -
Na rotatória de Al-Naim, as Unidades de Proteção das Mulheres (YPJ), uma força curda exclusivamente feminina, organizaram uma coletiva de imprensa para comemorar sua contribuição para a tomada da cidade. Alguns dos comandantes durante a batalha eram mulheres, um fator de orgulho para as forças curdas, particularmente devido à opressão das mulheres pelos jihadistas ultrarradicais do EI. 

"Raqa foi liberada pela vontade de mulheres livres", declarou a YPJ em um comunicado. As bandeiras das FDS agora cobrem Al-Naim, onde os jihadistas anteriormente expuseram as cabeças decapitadas de seus inimigos. No centro da rotatória foi colocada uma bandeira amarela com o rosto do líder curdo preso Abdullah Ocalan.

Ocalan é o líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), uma organização considerada "terrorista" pela Turquia, onde combate Ancara há décadas. Ocalan é idolatrado por muitos nas YPG, que segundo Ancara é o braço sírio do PKK.

O Estado Islâmico conquistou Raqa em 2014. Ali cometeu as piores atrocidades e preparou ataques em todo o mundo. A perda de Raqa, cidade emblemática do reinado de terror imposto pela EI nos territórios sob seu controle, é um grande revés para o grupo que vê o seu auto-proclamado "califado" sucumbir.

Em julho, perderam sua segunda maior cidade, Mossul, no Iraque. Na Síria, o grupo ainda está presente, em número limitado, no centro e na periferia sul de Damasco. Sua última fortaleza é agora a província de Deir Ezzor, no leste, na fronteira com o Iraque, onde enfrentam duas ofensivas: uma liderada pelas forças do regime sírio apoiadas pela Rússia, e outra pelas FDS, apoiadas pela coalizão internacional.
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