Xi Jinping jura honrar socialismo de características chinesas

No encerramento do 19º Congresso Nacional do Partido Comunista, Xi Jinping ganha mais cinco anos de mandato e tem o nome incluído nos estatutos da facção, se unindo a Mao Tsé-tung e a Deng Xiaoping. Presidente jura honrar socialismo de características chinesas

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postado em 25/10/2017 11:03

Greg Baker/AFP

 
Pequim — Uma China voltada ao liberalismo econômico iniciado por Den Xiaoping, baseada no socialismo idealizado por Mao Tsé-tung e preocupada em combater, com mão forte, os escândalos de corrupção no governo. Com esse discurso alinhado, Xi Jinping foi reeleito ao cargo de presidente, ontem, durante o encerramento do 19º Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCC). “O Congresso mantém no alto a grande bandeira do socialismo com características chinesas, o conceito de desenvolvimento científico e o pensamento sobre o socialismo com características chinesas na nova época, além de analisar o desenvolvimento e a mudança da situação nacional e internacional”, apontou Xi, no evento acompanhado por mais de 3,7 mil jornalistas, mais de mil deles correspondentes estrangeiros. Ao ter o nome incluído nos estatutos do PCC, Xi se consolidou como o líder mais poderoso do país em quatro décadas e foi equiparado pelos 2,3 mil delegados do partido ao próprio Mao (veja quadro).

O presidente chinês deixou claro que pretende construir uma nação cada vez mais inserida no contexto mundial. Para tanto, ele defende que o país passe “da fase atual de rápido crescimento para uma etapa de desenvolvimento de alta qualidade”. Em nenhum momento Xi fez menção específica aos Estados Unidos ou ao Reino Unido pós-Brexit, mas alertou que o caminho a ser seguido pelos chineses precisa ser diferente. Os dirigentes comunistas lembram que, enquanto o protecionismo ganha peso no Ocidente, a China procura maior liberalização do comércio e do investimento para a prosperidade comum.

A trajetória histórica do partido foi claramente delineada no discurso do presidente, ao deixar claro os legados dos líderes que o antecederam. “O Partido Comunista da China atravessou uma trajetória de 96 anos desde sua fundação, e a República Popular da China, 68 anos, enquanto 39 anos se passaram desde o início da reforma e abertura econômicas”, disse Xi. O chefe de Estado destacou os esforços que o partido tem feito para coibir os casos de corrupção. “As comissões de inspeção disciplinar de todos os níveis cumprem fielmente com as atribuições e as responsabilidades conferidas pelos estatutos do partido, realizam profundamente a construção do estilo e da governança honesta e a luta anticorrupção”, ressaltou Xi.

Foi um recado direto e duro aos companheiros de ideologia. “Os requisitos elaborados pelo partido tornam a disciplina e as regras políticas mais rigorosas, impulsionam as organizações partidárias de todos os níveis a cumprirem a responsabilidade política da administração e o disciplinamento do partido, fazendo uso do papel de inspeção itinerante como espada afiada”, disse ele.

Diálogo

Segundo Xi, inspeções itinerantes “contêm firmemente a tendência de expansão da corrupção, purificam o ecossistema político interno e promovem a formação e a consolidação do ímpeto esmagador no combate à corrupção”. O presidente destacou a importância de que o governo chinês estabeleça um diálogo mais forte com a população. “Devemos estreitar as relações com a ampla gama de militantes e as massas populares, refletir oportunamente os seus apelos, exercer corretamente os direitos de um representante e aceitar voluntariamente a supervisão do Partido e do povo.”

Em um momento de tensão mundial, com os movimentos do líder norte-coreano, Kim Jong-un, e as discussões constantes com o presidente norte-americano, Donald Trump, o documento intitulado Resoluções do 19º Congresso sobre o projeto de emenda dos estatutos do partido esclarece a orientação de Xi Jinping. “O reforço da construção da defesa nacional e do Exército, a união nacional, o princípio de ‘um país, dois sistemas’, a frente única e a diplomacia, apontando a direção clara para seguir o caminho do fortalecimento militar com características chinesas”, avisam os partidários do presidente chinês.

A cerimônia de encerramento do Congresso foi uma solenidade majestosa. No coração de Pequim, a fila de ônibus com autoridades, jornalistas e delegados do partido — muitos dos quais trajando roupas típicas das províncias de onde provêm — conferiram um ar multicolorido, embora não suficiente para preencher a imensidão do complexo que inclui o Museu Nacional da China, o mausoléu de Mao Tsé-tung, o Grande Salão do Povo e o monumento aos mortos durante a Revolução Cultural. Todos foram recebidos por um grupo de garotas chinesas, de pele alva contrastando com a roupa vermelha.

O repórter viajou a convite da Embaixada da China
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